Assunção Esteves admitiu demissão

A presidente da Assembleia da República admitiu demitir-se durante a conferência de líderes de quinta-feira por causa do braço-de-ferro sobre a comissão de inquérito ao BPN.

Assunção Esteves recordou a sucessão de diferendos entre a maioria e os partidos da oposição, que obrigaram a reuniões extraordinárias, para avisar que a sua margem de manobra está a esgotar-se.

"Se me confrontarem com mais duas ou três situações destas, abandono o cargo", afirmou a presidente, de acordo com fontes parlamentares.

Não é claro qual foi o tom da afirmação da presidente.

Alguns deputados asseguram que foi um recado sério à maioria que ameaçava forçar uma votação de urgência da sua proposta.

Nesta versão, a presidente ter-se-á sentido desautorizada pela maioria e foi isso que justificou as suas palavras.

Outras fontes falam num desabafo feito numa fase em que estava praticamente alcançado o consenso sobre o inquérito.

Em reação aos jornalistas, à saída do plenário, a presidente desmentiu a alegada ameaça de demissão. "Ninguém pode dizer isso. Isso não se passou."

Ainda assim, reconheceu à Antena 1 que houve "uma coisa" que poderá ter conduzido a "uma interpretação excessiva das emoções".

A resolução que cria a comissão de inquérito ao BPN foi aprovada por unanimidade hoje em plenário.

O inquérito parlamentar avança de imediato e cobre todo o processo desde a nacionalização decidida no Governo de José Sócrates.

Mas o Parlamento não vai interferir no negócio de reprivatização. A maioria impôs, no texto de consenso, que essa parte esperasse pela concretização do negócio.

A comissão composta por 17 deputados deverá tomar posse na próxima semana. A presidência cabe aos socialistas, autores do requerimento potestativo.

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