"As irmãs de Ricardo Salgado fazem bolos em casa para vender"

"As irmãs de Ricardo Salgado ficam à noite em casa a fazer bolos para vender em restaurantes e ele nunca se preocupou em defendê-las", acusou Pedro Queirós Pereira.

O líder do Grupo Queirós Pereira falava na comissão de inquérito ao caso BES e respondia assim ao facto de Ricardo Salgado o ter acusado de não defender as suas irmãs.

Ricardo Salgado "tem um problema: não lida maravilhosamente com a verdade", disse Pedro Queirós Pereira, que no outono de 2013 denunciou uma situação enormemente deficitária no Grupo Espírito Santo.

O líder do Grupo Queirós Pereira (GQP) caracterizou assim o ex-banqueiro, na comissão de inquérito ao BES, depois de contar que Salgado durante anos lhe andou a ocultar participações que tinha no seu grupo através de sociedades off-shore cujos beneficiários recusava identificar.

Foram guerras entre os dois que levaram em setembro de 2013 Queirós Pereira a entregar ao Banco de Portugal documentação provando um enorme buraco no Grupo Espírito Santo ("situação negativa" de três mil milhões de euros e dívidas de cinco mil milhões). A carta que então levou durou "seis meses a ser escrita", disse o empresário.

Queirós Pereira revelou que nessa altura o seu principal interlocutor na família Espírito Santo era José Maria Ricciardi, a quem foi dando conta das suas preocupações - e que respondia "não posso fazer nada, não posso fazer nada".

O Banco de Portugal recebeu a documentação e PQP ficou sem perceber se o BdP já sabia qualquer coisa antes ou não. "Vim a comentar isso com um colega meu. Fizeram cara de poker."

Depois PQP e o GES fizeram as pazes e um dos intervenientes nessa negociação de paz foi Eduardo Catroga. Queirós Pereira disse que ainda hoje não sabe em nome de quem o ex-ministro das Finanças fez esse intervenção. "Ficamos todos curiosos de saber a título de quê, de quem, mas ele sempre disse 'é uma iniciativa pessoal minha, é uma iniciativa pessoal minha." "Acho que foi Ricardo Salgado quem lhe pediu intervenção...mas como lhe digo não sei..."

No seu depoimento, Pedro Queirós Pereira começou por dizer que "quando entramos neste século eu já sabia que as coisas não iam bem" no grupo BES/GES, "Houve muito dificuldade em reconstruir GES porque não havia dinheiro", acrescentou, dizendo a crise mundial de 2008 "apanha o grupo em grande stress financeiro " e "aqui é que começam as dificuldades insuperáveis".

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