Arrancam comemorações do centenário de Álvaro Cunhal

As comemorações do centenário de Álvaro Cunhal arrancam hoje com uma cerimónia em Lisboa, vão prolongar-se durante um ano e incluem a realização de um congresso sobre o líder histórico comunista em outubro.

A cerimónia de abertura das comemorações dos cem anos de Álvaro Cunhal, que nasceu a 10 de novembro de 1913, decorrerá no auditório da Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa e contará com a presença do atual secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

Segue-se um ano de "centenas de iniciativas", promovidas pelo PCP, "mas também pela Comissão de Comemorações do Centenário, por comissões organizadoras de eventos específicos (como é o caso, entre outros, do congresso "Álvaro Cunhal, o projeto Comunista, Portugal e o mundo de hoje") e por instituições e entidades diversas que, no seu âmbito de intervenção e objetivos, entendam dever associar-se a estas comemorações", de acordo com uma nota do PCP divulgada a 9 de janeiro.

O congresso dedicado a Cunhal terá lugar a 26 e 27 de outubro, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Na mesma nota, o PCP destaca "a realização de uma grande exposição sobre a vida, pensamento e luta de Álvaro Cunhal", que entre 27 de abril e 02 de junho estará em Lisboa, no Pátio da Galé, no Terreiro do Paço, seguindo depois para o Porto, podendo ser visitada entre 24 de novembro e 15 de dezembro.

Antes, a 23 de março, haverá em Lisboa uma "sessão evocativa" de Álvaro Cunhal "como intelectual e artista" e a 04 de maio uma conferência, no Porto, com o título "Álvaro Cunhal, a organização e a luta dos trabalhadores".

Ao longo deste ano será ainda editado o IV Tomo das Obras Escolhidas e uma fotobiografia de Álvaro Cunhal e serão lembrados alguns momentos da vida do líder histórico do PCP, como a prisão no Luso (24 de março), o julgamento (através de uma peça de teatro que estreará em Almada a 25 de Abril) ou a fuga de Peniche, a 3 e 4 de janeiro de 2014, com que o PCP encerrará estas comemorações e abrirá as do 40.º aniversário do 25 de abril de 1974.

Para o dia do centenário, 10 de novembro, o PCP prepara diversas iniciativas por todo o país, incluindo um "comício-festa" em Lisboa.

Outro dos pontos altos destas comemorações ocorrerá na Festa do Avante!, entre 6 e 8 de setembro, em que diversos espaços e iniciativas serão dedicados a Álvaro Cunhal.

Cunhal nasceu em Coimbra a 10 de novembro de 1913. Membro do PCP desde 1931, foi eleito secretário-geral da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas em 1935, ano em que passou a integrar o quadro de militantes clandestinos.

Participou na reorganização do PCP em 1940/41 e foi membro do Secretariado de 1942 a 1949, quando foi detido, passando toda a década de 1950 preso. Fugiu da prisão de Peniche em 1960 e chegou a secretário-geral do PCP em 1961, cargo que abandonou em 1992, passando então a presidente do Conselho Nacional do PCP, organismo extinto em 1996.

Morreu a 13 de junho de 2005, aos 92 anos.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

A "taxa Robles" e a desqualificação do debate político

A proposta de criação de uma taxa sobre especulação imobiliária, anunciada pelo Bloco de Esquerda (BE) a 9 de setembro, animou os jornais, televisões e redes sociais durante vários dias. Agora que as atenções já se viraram para outras polémicas, vale a pena revistar o debate público sobre a "taxa Robles" e constatar o que ela nos diz sobre a desqualificação da disputa partidária em Portugal nos dias que correm.

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.