Arménio Carlos eleito com 113 votos

Novo secretário-geral da CGTP foi escolhido sem surpresa, já de madrugada, pelo Conselho Nacional. Recolheu 28 abstenções num universo de 141 votantes. Arménio Carlos desvaloriza votos divergentes.

O secretário-geral da CGTP foi eleito, já na madrugada deste sábado, por uma larga maioria de 113 votos a favor (num total de 141 votantes), no decorrer da reunião do novo Conselho Nacional. Vinte e oito votos brancos foram os únicos sinais de divergência na eleição de Arménio Carlos que, sabe-se, não foi consensual desde a primeira hora - a única incógnita era saber a expressão de eventuais votos contra ou em branco.

As correntes minoritárias - que vão dos bloquistas aos socialistas, passando por grupos de "católicos" e independentes - desconfiaram desta solução, por o novo homem forte da central sindical ser também membro do Comité Central do PCP, mas travaram à última hora uma candidatura alternativa. A corrente socialista fez saber durante o dia que votaria em branco. No seio da Comissão Executiva, a opção de Arménio Carlos teve as cinco abstenções socialistas, afastando estes a possibilidade de um voto contra.

Para além da escolha do secretário-geral, o novo Conselho Nacional - eleito ao final da tarde do primeiro dia de trabalhos do XII Congresso Nacional da CGTP-IN - votou para a Comissão Executiva, órgão composto por 29 membros (14 dos quais novos), e para o secretariado do referido Conselho Nacional (com seis membros).

A Comissão Executiva teve 130 votos a favor, dez brancos e dois nulos. Já o secretariado, que será dirigido por Arménio Carlos, teve 130 votos a favor e 11 brancos. O novo Conselho Nacional da CGTP foi eleito com 735 votos a favor, oito brancos e 32 nulos. São 95% de votos a favor de um órgão dirigente, que foi renovado em mais de um terço dos seus membros - dos 147 membros, 53 são novos.

O XII Congresso Nacional da CGTP termina este domingo, com o encerramento previsto para as 19.30, pela voz de Arménio Carlos, o novo rosto que tem a missão de substituir Manuel Carvalho da Silva, que liderou a central sindical durante os últimos 25 anos.

Aos jornalistas, no final de uma reunião que ainda durou cerca de duas horas e meia, Arménio Carlos desvalorizou as 28 abstenções, preferindo sublinhar que "não houve votos contra" e que "o importante é provar que amanhã" aqueles votos estarão a seu lado. Insistindo que a sua liderança não sai "fragilizada" com este resultado, o novo secretário-geral afirmou que "com toda a naturalidade, as diferentes sensibilidades manifestaram-se" e que, no final, "este não é um projeto individual, é coletivo".

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