AR sem "o poder de entregar a soberania nacional"

O presidente da Associação 25 de Abril (A25A), Vasco Lourenço, declarou esta quarta-feira que o povo português "não concede" ao Parlamento, "independentemente da composição que venha a ter, o poder de entregar a soberania nacional".

"Estamos certos que alguns irão procurar, a partir da Assembleia da República eleita, legitimar a rendição nacional à ditadura dos 'mercados'", referiu Vasco Lourenço, no discurso feito após o desfile popular do 25 de Abril, em Lisboa (entre o Marquês de Pombal e o Rossio), onde participaram", entre milhares de pessoas, figuras como Manuel Alegre, Pezarat Correia, Francisco Louçã, Bernardino Soares, Arménio Carlos e António Reis.

"Por considerar que, nas atuais condições, a Assembleia da República não representará efetivamente os portugueses, queremos aqui proclamar que o povo português, verdadeira e única fonte de soberania, não concede a essa Assembleia da República (...) o poder de entregar a soberania nacional, tendo, ao contrário, o dever e a responsabilidade de se opor firmemente a tais desígnios", sustentou o capitão de Abril.

Dias depois de ter anunciado que a A25A não iria participar nas comemorações oficiais do 38º aniversário da Revolução dos Cravos, que decorreu esta manhã no Parlamento, o capitão de Abril subiu ao palco no Rossio para afirmar: "Não somos donos do 25 de Abril. Desde o próprio Dia da Libertação que ele pertence ao povo português! Não abdicamos é de também o considerarmos nosso."

"Não abdicando da nossa condição de cidadãos livres, conscientes das obrigações patrióticas que a nossa condição de Militares de Abril nos impõe, sentimos o dever de tomar uma posição cívica e política na defesa dos mesmos valores de Abril que enformam a Constituição", prosseguiu Vasco Lourenço, ladeado por vários capitães de Abril.

"É a mesma ética e moral que nos conduziu em Abril que no-lo impõem!", frisou Vasco Lourenço, acrescentando: "Não podemos culpabilizar o 25 de Abril pela contínua atitude dos responsáveis políticos que, com a sua ação, desbarataram a nossa confiança, destruíram esse bem precioso e vêm demonstrando não estar à altura das funções para que foram escolhidos."

"Hoje, os eleitos já não representam a sociedade portuguesa, por isso temos de ser capazes de mudar a situação", adiantou o militar de Abril, que se juntara ao desfile a meio da Avenida da Liberdade.

Como "volta a haver um grupo restrito de privilegiados que detém, de novo, toda a riqueza nacional", continuou o presidente da A25A, "isso leva-nos a lembrar ao poder político que a sua função é defender os direitos dos portugueses, defender a autonomia das decisões e a soberania nacionais, no contexto atual" em que Portugal está sob assistência financeira externa.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

Benefícios fiscais para quê e para quem

São mais de 500 os benefícios fiscais existentes em Portugal. Esta é uma das conclusões do relatório do Grupo de Trabalho para o Estudo dos Benefícios Fiscais (GTEBF), tornado público na semana passada. O número impressiona por uma razão óbvia: um benefício fiscal é uma excepção às regras gerais sobre o pagamento de impostos. Meio milhar de casos soa mais a regra do que a excepção. Mas este é apenas um dos alertas que emergem do documento.

Premium

educação

O que há de fascinante na Matemática que os fez segui-la no ensino superior

Para Henrique e Rafael, os números chegaram antes das letras e, por isso, decidiram que era Matemática que seguiriam na universidade, como alunos do Instituto Superior Técnico de Lisboa. No dia em que milhares de alunos realizam o exame de Matemática A, estes jovens mostram como uma área com tão fracos resultados escolares pode, afinal, ser entusiasmante.