Após "cirurgia", Costa defende "fisioterapia" para recuperar emprego

O secretário-geral do PS lembra que "não há milagres, nem atos mágicos" e que Portugal tem "um problema estrutural" para resolver. A crise, adverte, "não está ultrapassada".

António Costa diz que "a crise que vivemos não está ultrapassada, não tem natureza conjuntural e não é exclusivamente nacional". Numa conferência promovida pela revista britânica, The Economist, em Cascais, o secretário-geral do PS destacou ainda que Portugal "deve hoje mais do que no início do ajustamento".

O líder socialista defendeu que o país "tem de romper com as tentações de achar, como aconteceu nas últimas legislaturas, que tudo se resolve com um choque fiscal ou com um choque tecnológico". Costa lembrou ainda que "não há milagres, nem atos mágicos", pois Portugal tem "um problema estrutural

Após enumerar um conjunto de elementos necessários à recuperação da economia e ao aumento da competitividade, Costa defendeu que "depois de uma cirurgia é necessário um programa de fisioterapia, que permita reconstruir o músculo e recuperar a autonomia dos movimentos. No nosso caso é urgente criar músculo empresarial e recuperar emprego".

António Costa recusa dar ao governo os louros da descida das taxas de juro. Para o socialista a diminuição dos juros "não resulta, nem da diminuição de dívidas, nem da melhoria das condições de económicas para as pagar", mas é "resultado da liquidez no mercado global e do Banco Central Europeu dar hoje garantias que não deu quando a crise das dívidas surgiu".

O também presidente da câmara de Lisboa considera que "as ideias da austeridade expansionista e da desvalorização interna destruíram mais do que transformaram, e, pelo desinvestimento e desconfiança que geraram, atrasaram a modernização do perfil de especialização da economia."

O líder socialista quer "corrigir a arquitetura da zona euro", pois "agora que se corrige o efeito indesejado [o endividamento], é também tempo de corrigir o pecado original". E como o fazer? "Temos de crescer e para crescer temos de ser mais competitivos".

A nível europeu, Costa acredita que a crise exige "combater a politica deflacionária que a Europa tem seguido". Elogiou, aliás, nesta matéria o programa de quantitative easing do BCE, o Plano Junker e a comunicação da Comissão Europeia que estabeleceu que o PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento) deve ser interpretado de forma "inteligente e flexível".

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