Apenas um casal homem/mulher tem "estrutura antropológica" para adotar

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) reiterou hoje que apenas um casal, constituído por uma mulher e um homem, tem "a estrutura antropológica objetiva para a educação harmoniosa de uma criança".

O padre Manuel Morujão comentava assim à agência Lusa a aprovação hoje no Parlamento, na generalidade, de um projeto de lei do PS para que os homossexuais possam co-adotar os filhos adotivos ou biológicos da pessoa com quem estão casados ou com quem vivem em união de facto

"Independentemente do resultado das votações que hoje tiveram lugar na Assembleia da República, a Igreja reafirma, por motivos simplesmente antropológicos, que a adoção de uma criança não é um direito de qualquer pessoa adulta, solteira ou casada, heterossexual ou homossexual", afirma o porta-voz da CEP numa resposta escrita enviada à Lusa.

O padre Manuel Morujão adianta que numa adoção visa encontrar-se uma família, "nas melhores condições possíveis, para dar [à criança] uns pais substitutivos dos pais biológicos que perderam ou que são incapazes de exercer a paternidade e a maternidade".

"Com todo o respeito pelas pessoas de qualquer identidade sexual, é patente que toda a criança, na sua evolução para o estado adulto, necessita da complementaridade da masculinidade e feminilidade que lhe dão, em primeiríssimo lugar, o pai e a mãe biológicos ou a família que os substitui", defende.

Para o porta-voz do CEP, "só um casal, constituído por uma mulher e um homem, tem a estrutura antropológica objetiva para a educação harmoniosa de uma criança".

O projeto de lei do PS teve 99 votos a favor, 94 contra e nove abstenções. Votaram a favor as bancadas do BE, PCP, PEV, a maioria dos deputados do PS e 16 deputados do PSD.

Abstiveram-se três deputados do PS, três do PSD e três do CDS-PP e votaram contra a maioria das bancadas do PSD e do CDS-PP e dois deputados do PS.

Já os três projetos do BE e PEV para alargar a adoção plena de crianças aos casais de homossexuais foram hoje chumbados no parlamento, com votos contra da maioria da bancada do PSD, do CDS-PP e de seis deputados socialistas.

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