António Lobo Xavier critica "embuste" socialista

O antigo dirigente do CDS elogiou o Governo por não seguir "instinto natural de político" e ter tido coragem de assumir uma "trajetória dura", mesmo contra o que seria a sua "conveniência política de curto prazo"

O antigo dirigente do CDS, António Lobo Xavier, criticou o Partido Socialista por "para o futuro, prometer um caminho que nada tem de rigor orçamental". Para Lobo Xavier, o facto de os socialistas darem a entender que conseguiam governar sem "aumentar os impostos, sem reduzir a despesa" é um "embuste", que merece ser denunciado.

Foi esse um dos motivos pelos quais Lobo Xavier pediu para participar na campanha. Em sentido contrário ao PS, o antigo dirigente do CDS elogiou o Governo por não seguir o "instinto natural de político" e ter tido coragem de assumir uma "trajetória dura", mesmo contra o que seria a sua "conveniência política de curto prazo".

Lobo Xavier também considerou redutora a ideia de que a situação portuguesa melhorou devido a "declarações do Banco Central Europeu", defendendo que, além das palavras, foi importante a ação do Governo. Aproveitou, porém, este propósito para criticar o antigo eixo franco-alemão: "Infelizmente a Europa tem tido muito de palavras e pouco de atos. Mas Merkel e Sarkozy já fizeram mais mal com palavras do que muitos tratados ou políticas".

Para o centrista o que é fundamental para a Europa é o "realismo", defendendo que "a solidariedade só é possível na Europa com rigor nas contas públicas. Quem não quiser saber disto está a falar de utopias e ilusões". Lobo Xavier disse ainda que os dois rostos da coligação - Paulo Rangel e Nuno Melo - tinham melhor currículo como "políticos e parlamentares" do que alguns candidatos na lista do PS, que, defendeu, até deviam "esconder" a passagem pelo Executivo de José Sócrates.

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