António Costa quer "governar com maioria absoluta"

"O PS pretende governar com maioria absoluta porque é ncessario estabilidade para fazer a mudança que é necessaira em Portugal", disse hoje António Costa, ao encerrar em Aveiro uma convenção da sua candidatura nas primárias do PS.

Numa 'farpa' ao seu adversário, António José Seguro, Costa acrescentou: "Quem se conforma em ganhar por poucochinho é porque está disposto a fazer poucocinho."

Segundo disse, uma "maioria absoluta é do interesse nacional porque é pedir ao PS que seja alternativa ao atual Governo". "Quem faz parte do atual Governo não pode ser alternativa a si mesmo", afirmou ainda.

Costa ressalvou ainda que governar com maioria "não significa ser autosuficiente". "O Governo do PS nao deixará de promover o diálogo", prometeu.

A "saudade" das políticas de Guterres e Sócrates no combate à pobreza extrema arrancou o aplauso dos presentes na leitura das conclusões da convenção .

Na leitura sucessiva das conclusões dos nove painéis temáticos, Carlos Farinha Rodrigues, que coordenou o painel sobre o reforço da coesão social, evocou aqueles anteriores líderes socialistas, ao defender o regresso "às políticas de combate à pobreza extrema de Guterres e Sócrates".

Concluía que é preciso combater a pobreza e valorizar o trabalho, corrigindo as desigualdades na repartição primária do rendimento, considerando a primeira um obstáculo ao desenvolvimento.

Foi também de distribuição de rendimento que falou Luís Filipe Costa, ao ler as conclusões do painel dedicado à modernização empresarial, em que se defendeu a competitividade assente na diferenciação pela qualidade e inovação e não nos baixos salários, até porque o mercado interno "é fundamental para gerar emprego e receitas fiscais".

Miguel Cabrita, do painel sobre o emprego e a valorização do trabalho, enumerou como prioridades o diálogo social, negociando um entendimento de longo prazo com os parceiros, o combate à precariedade, premiando as empresas cumpridoras e o regresso aos programas de qualificação, como o das Novas Oportunidades.

A qualificação passa pelo acesso à Educação, mas também à Cultura, área que deve voltar a ter um ministério próprio, segundo Vieira Nery, sem com isso se pretender tutelar, mas antes garantir assento em Conselho de Ministros a uma verdadeira política cultural, dotada de meios adequados e articulação.

Encarar o futuro passa, para os apoiantes de António Costa, em aproveitar os aspetos positivos que o governo da maioria PSD/CDS "interrompeu", nomeadamente na Ciência, de cujo painel Guedes de Oliveira leu as conclusões, que apontam para a retoma da trajetória de valorização dos recursos humanos, regressando a tutela dos doutoramentos às universidades e acabando com "a visão utilitarista de que a Ciência tem de produzir resultados imediatos".

É nos resultados da investigação científica que se deve apoiar a nova economia do mar, segundo o respetivo painel, apresentado pelo almirante Melo Gomes, para quem o mar é, tal como a Língua, um dos principais ativos estratégicos do país, que tem sido desaproveitado.

"Perdemos empresários do mar e não temos aproveitado economicamente as suas potencialidades, com a grande evolução da Ciência e do conhecimento, um caminho que tem vacilado na inconstância da liderança política", criticou, concluindo pela necessidade de ser dada prioridade política ao mar.

Em terra, discutiu-se as assimetrias do território e o envelhecimento da sua ocupação no interior, num painel coordenado por Anselmo Castro, e concluiu-se que é preciso mais do que medidas de apoio à natalidade de "duvidosa eficácia", do esforço feito pelas autarquias do interior para fixar população, ou de iniciativas avulsas voluntaristas.

A urgência do problema justifica que seja criada uma unidade de missão para as zonas de mais baixa densidade populacional e provocar um verdadeiro movimento de migração interna que ajude a resolver os problemas igualmente graves do Litoral sobrepovoado.

O regresso das pessoas ao interior só será possível com empresas e serviços que as apoiem, o que toca nas questões da modernização do Estado, tornando-o "mais próximo, estável e previsível, mais sustentável, simples e inteligente, e mais amigo do desenvolvimento económico", segundo foi defendido no respetivo painel coordenado por Nuno Santos.

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