António Costa "disponível" para a liderança do PS

O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, anunciou esta terça-feira que está disponível para se candidatar à liderança do PS."Estou disponível para assumir as minhas responsabilidades", afirmou o presidente da Câmara de Lisboa.

Interpelado pelos jornalistas sobre os resultados eleitorais do PS, António Costa disse não quer manter um tabu sobre a sua candidatura e revelou que vai amanhã falar com o secretário-geral do PS, António José Seguro, sobre o futuro do PS e, muito provavelmente, pedir eleições internas.

"Seria imperdoável que não estivesse disponível para servir o meu país", afirmou. Por mais do que uma vez disse também que avança porque, após as próximas legislativas, o País precisará de uma "solução de governo forte".

Na noite das eleições, no domingo, o autarca já tinha considerado que o PS tinha obtido "uma vitória que sabe a pouco".

Falando na Quadratura do Círculo (SIC-Notícias), o presidente da Câmara Municipal de Lisboa - e principal challenger de Seguro no PS - sublinhou que o seu partido perdeu cinco pontos percentuais desde as últimas autárquicas.

O facto de, no seu entender, o PS não ter conseguido "polarizar" o descontentamento deve ser no partido "motivo de preocupação". "O PS vai ter de fazer uma reflexão", afirmou.

E nas legislativas, acrescentou, "não basta ganhar por um voto" para se criarem "condições de governabilidade". "O PS tem de saber resolver esse problema", disse ainda.

Nessa mesma noite eleitoral várias vozes no PS reconheceram que a vitória tinha sido muito curta. Carlos César e Ferro Rodrigues foram dois deles.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?