António Borges recusa falar mais sobre a RTP

António Borges recusou prestar mais declarações sobre o caso da RTP à entrada para a Universidade de Verão da JSD. "Não tenho nada a acrescentar. O que disse é suficiente", respondeu o conselheiro do governo para as privatizações aos jornalistas que o questionavam, no dia seguinte ao primeiro-ministro se ter pronunciado sobre o tema, parecendo contrariar o que o consultor tinha afirmado na semana passada.

Passos Coelho, manifestando-se contra a "histeria" suscitada pelas afirmações de António Borges, deixou ontem claro que o encerramento da RTP 2 e a concessão a privados da RTP 1 é apenas um dos cenários dos que estão a ser estudados. Desde a entrevista de António Borges à TVI, na passada quinta-feira, em que o assessor do governo considerou que aquele cenário era "muito atraente", o tema marcou a agenda política.Do porta-voz do CDS, João Almeida, que logo criticou a forma como aquela medida foi divulgada, ao líder socialista, com António José Seguro a ameaçar que um futuro governo do PS revogaria aquela concessão, as críticas foram-se sucedendo.O Conselho de Administração da RTP assumiu a sua discordância, Jorge Miranda e outros constitucionalistas consideram que a opção contrariava o art. º 82 º da Constituição, o ex-Presidente Mário Soares rotulou aquela hipótese como "uma pouca vergonha", o antigo líder do CDS, Adriano Moreira, advertiu que o Tribunal Constitucional "deve ser ouvido" e o ex-candidato presidencial Manuel Alegre sustentou que "há todas as razões para o Presidente da República vetar o diploma".A 10 ª Universidade de Verão da JSD está a decorrer em Castelo de Vide até domingo, dia em que Pedro Passos Coelho ali proferirá o seu discurso da rentrée política.

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