António Barreto defende candidaturas independentes, mas alerta para perigos

O sociólogo António Barreto defendeu hoje as candidaturas independentes, mas alertou que, caso a política portuguesa estivesse entregue aos independentes no parlamento ou nas autarquias, Portugal era um "caos absoluto".

"Se a política portuguesa estivesse entregue aos independentes no parlamento ou nas autarquias, Portugal era um caos absoluto", disse.

Para António Barreto, os partidos políticos e as organizações políticas dos partidos "são fatores de racionalidade e de sistematização das ideias e dos programas e isso são fatores de estabilidade", sublinhando que "é bom que assim seja".

António Barreto falava hoje à tarde, durante a Universidade de Verão do PSD, que está a decorrer desde segunda-feira, em Castelo de Vide (Portalegre), tendo sido questionado sobre as candidaturas independentes por parte de um dos alunos.

Para o sociólogo, o facto de os partidos políticos portugueses se terem fechado nos últimos "30 anos" aos independentes e de terem proibido na Constituição abertura a estes movimentos "mostra bem o que é o receio e o que foi uma espécie de auto-proteção" por parte dos partidos.

"Fizeram (os partidos) da Constituição uma espécie de escafandro para se protegerem, obviamente que mais tarde ou mais cedo iam pagar as favas e estão a pagá-las agora", declarou.

No entanto, alertou, caso os partidos políticos não reajam, o número de independentes "aumentará" nos próximos tempos, alertando que "não é seguro" que tal seja um "bom fator" para a mudança ou estabilidade do regime.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Legalização do lobbying

No dia 7 de junho foi aprovada, na Assembleia da República, a legalização do lobbying. Esta regulamentação possibilitará a participação dos cidadãos e das empresas nos processos de formação das decisões públicas, algo fundamental num Estado de direito democrático. Além dos efeitos práticos que terá o controlo desta atividade, a aprovação desta lei traz uma mensagem muito importante para a sociedade: a de que também a classe política está empenhada em aumentar a transparência e em restaurar a confiança dos cidadãos no poder político.

Premium

Viriato Soromenho Marques

Erros de um sonhador

Não é um espetáculo bonito ver Vítor Constâncio contagiado pela amnésia que tem vitimado quase todos os responsáveis da banca portuguesa, chamados a prestar declarações no Parlamento. Contudo, parece-me injusto remeter aquele que foi governador do Banco de Portugal (BdP) nos anos críticos de 2000-2010 para o estatuto de cúmplice de Berardo e instrumento da maior teia de corrupção da história portuguesa, que a justiça tenta, arduamente, deslindar.

Premium

João Taborda da Gama

Por que não votam os açorianos?

Nesta semana, os portugueses, a ciência política em geral, e até o mundo no global, foram presenteados com duas ideias revolucionárias. A primeira, da lavra de Rui Rio, foi a de que o número de deputados do Parlamento fosse móvel tendo em conta os votos brancos e nulos. Mais brancos e nulos, menos deputados, uma versão estica-encolhe do método de Hondt. É a mesma ideia dos lugares vazios para brancos e nulos, que alguns populistas defendem para a abstenção. Mas são lugares vazios na mesma, medida em que, vingando a ideia, havia menos pessoas na sala, a não ser que se fizesse no hemiciclo o que se está a fazer com as cadeiras dos comboios da ponte, ou então que nestes anos com mais brancos e nulos, portanto menos deputados, se passasse a reunir na sala do Senado, que é mais pequenina, mais maneirinha. A ideia é absurda. Mas a esquerda não quis ficar para trás neste concurso de ideias eleitorais e, pela voz do presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, chega-nos a ideia de incentivar votos com dinheiro.