António Barreto defende candidaturas independentes, mas alerta para perigos

O sociólogo António Barreto defendeu hoje as candidaturas independentes, mas alertou que, caso a política portuguesa estivesse entregue aos independentes no parlamento ou nas autarquias, Portugal era um "caos absoluto".

"Se a política portuguesa estivesse entregue aos independentes no parlamento ou nas autarquias, Portugal era um caos absoluto", disse.

Para António Barreto, os partidos políticos e as organizações políticas dos partidos "são fatores de racionalidade e de sistematização das ideias e dos programas e isso são fatores de estabilidade", sublinhando que "é bom que assim seja".

António Barreto falava hoje à tarde, durante a Universidade de Verão do PSD, que está a decorrer desde segunda-feira, em Castelo de Vide (Portalegre), tendo sido questionado sobre as candidaturas independentes por parte de um dos alunos.

Para o sociólogo, o facto de os partidos políticos portugueses se terem fechado nos últimos "30 anos" aos independentes e de terem proibido na Constituição abertura a estes movimentos "mostra bem o que é o receio e o que foi uma espécie de auto-proteção" por parte dos partidos.

"Fizeram (os partidos) da Constituição uma espécie de escafandro para se protegerem, obviamente que mais tarde ou mais cedo iam pagar as favas e estão a pagá-las agora", declarou.

No entanto, alertou, caso os partidos políticos não reajam, o número de independentes "aumentará" nos próximos tempos, alertando que "não é seguro" que tal seja um "bom fator" para a mudança ou estabilidade do regime.

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