Ana Gomes liga Paulo Portas a arguido do "Monte Branco"

Eurodeputada avança com pedido de reabertura do processo dos submarinos e descobre escuta em que Portas diz ir à Alemanha "tratar de aquilo com o Canalis", que poderá ser Michel Canals, suspeito de fraude fiscal e branqueamento de capitais

A eurodeputada socialista Ana Gomes anunciou, esta quinta-feira, que irá avançar com um pedido de reabertura do processo dos submarinos. Apontando várias falhas à investigação do Ministério Público, que arquivou o caso, a eurodeputada colocou em cima da mesa um dado novo: uma escuta telefónica de 2005, na qual Paulo Portas, no contexto de uma viagem à Alemanha, terá dito que ia aproveitar para "tratar daquilo ao Canalis". Para Ana Gomes, este último poderá ser Michel Canalis, gestor de fortunas na empresa Akoya, e que está sob suspeita de fraude fiscal e branqueamento de capitais no processo "Monte Branco".

Para Ana Gomes, os procuradores do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) não investigaram se, em 2004, ano em que o governo decidiu atribuir a compra de dois submarinos ao consórcio alemão, "certas decisões terão sido retribuídas". "E, no entanto, levantam interrogações a incongruência existente nas Declarações de Rendimentos e Património à guarda do Tribunal Constitucional de Paulo Portas, onde declara a morada de sua Mãe como residência pessoal", refere a eurodeputada.

"Ora, há elementos no processo que revelam que, no momento em que abandonou o Governo, em Março de 2005, Paulo Portas mudou de residência fechando contrato para habitar em nova casa. E pouco tempo depois, passou férias no Dubai, em condições que indiciavam um súbito afluxo de rendimentos", acrescentando.

Sobre Paulo Portas, a eurodeputada manifesta estranheza que uma Carta Rogatória vinda das Bahamas, que poderia desvendar todos os beneficiários das comissões dos submarinos (para além dos membros do Conselho Superior do BES), tivesse chegado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros a 24 de junho de 2013, com Portas a ministro dos Negócios Estrangeiros, mas só tivesse sido dada uma informação, a 7 de julho desse mesmo ano, à Procuradoria de que os elementos desapareceram.

"Consultados os autos, não se vislumbra qualquer ação no sentido de averiguar o porquê do desaparecimento deste elemento essencial de prova, nem de acto de insistência com o MNE ou com as autoridades das Bahamas pelo envio de segunda via das informações fornecidas mas, eventualmente, extraviadas" - conclui Ana Gomes.

No requerimento de abertura de instrução, é também pedida uma investigação à participação de Durão Barroso e do seu antigo assessor Mário David no processo de decisão de 2004. "Investigação esta que terá necessariamente de incluir verificação se, durante estes anos em apreço, há um aumento injustificado e não declarado no património pessoal e familiar daqueles responsáveis políticos".

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