Adoção por casais gay chumbada no Parlamento

Os projetos do Bloco de Esquerda e do partido ecologista Os Verdes para legalizar a adoção por casais de pessoas do mesmo sexo foram hoje, sexta-feira, chumbados no Parlamento.

O PSD, o PS e o CDS deram liberdade de voto aos seus deputados, pelo que houve algumas abstenções e votos a favor nestes partidos, o que acabou por complicar a contagem dos votos.

Na bancada do PSD, a maioria dos deputados votou contra os projetos, mas houve nove que votaram a favor e dois que optaram pela abstenção.

Entre os que apoiaram a iniciativa estiveram os vice-presidentes Miguel Frasquilho e Teresa Leal Coelho.

Tal como tinha acontecido há semanas com o diploma da procriação medicamente assistida, a bancada do PS partiu-se na hora da votação.

O líder da bancada Carlos Zorrinho absteve-se com outros 12 deputados.

Houve outros 38, a maioria, que votaram a favor do projeto do Bloco.

Neste grupo estavam alguns pesos pesados da bancada como Francisco Assis, Vieira da Silva, Ferro Rodrigues e Jorge Lacão.

O ex-ministro Pedro Silva Pereira foi um dos nove deputados socialistas que votaram contra.

Na bancada do CDS houve uma abstenção, do deputado João Rebelo, e um voto a favor de Adolfo Mesquita Nunes.

Nas bancadas mais à esquerda houve unidade na hora de votar. O BE e o PEV votaram a favor.

DURANTE O DEBATE

O Bloco de Esquerda desafiou os deputados no Parlamento a aprovar o projeto de lei que permite a adopção por casais homossexuais acabando com os "casamentos de segunda". Mas, da esquerda à direita, à exceção dos Verdes, as respostas foram negativas.

Andreia Neto do PSD, partido que deu liberdade de voto, defendeu que "a impossibilidade legal de adotar assenta na convicção de que será melhor para o interesse da criança [...] se seguir um pai e uma mãe".

A socialista Isabel Oneto rejeitou a relação entre o casamento homossexual e o direito de adoção. Lembrando que foi durante um governo PS que a lei do casamento foi aprovada, Oneto afirmou que uma coisa é "admitir que uma criança possa ser educada por casal homossexual, outra questão é a relação jurídica de paternidade ou maternidade".

O líder da bancada do PCP, Bernardino Soares, defendeu que "não estão criadas as condições para uma alteração da lei" como era proposta.

O CDS foi o partido que assumiu uma oposição mais taxativa na matéria. Telmo Correia invocou a ordem do "criador" para recusar "experimentalismos sociais".

A deputada dos Verdes Helóisa Apolónia, que também apresentou um projeto, respondeu: "Nem vou com essa de contrariar a natureza, porque ó senhor deputado, natureza é cá connosco."

Antecipando o chumbo dos projetos Apolónia desafiou os partidos a promoverem o debate sobre o tema, mostrando-se convicta de que a adoção acabará por ser aprovada.

A votação dos projetos está marcada para o 12.00 no plenário.

Relacionadas

Brand Story

Tui

Últimas notícias

Mais popular

  • no dn.pt
  • Política
Pub
Pub