Acordo fechado. PSD e CDS vão juntos às legislativas

Passos Coelho e Portas anunciam entendimento com muitos recados ao PS. Presidente do PSD insiste no caminho da "responsabilidade", líder do CDS fala em maioria "juntamente com independentes".

Está selado o acordo de coligação entre PSD e CDS-PP para próximas eleições legislativas. Os líderes dos dois partidos, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, apareceram este sábado lado a lado numa unidade hoteleira em Lisboa para anunciarem aquilo que há muito se esperava, mas que foi objeto de vários avanços e recuos.

Portas foi o primeiro a falar, notando que o entendimento traduz "uma forte manifestação de vontade política" e elencando aquilo que sustenta o acordo - projeto de futuro conjunto, compromisso de reposição do poder de compra dos portugueses, um pacote de reformas ainda por fazer, como a da Segurança Social, e ainda a intenção de atingirem uma maioria "juntamente com independentes" - lá deixou as habituais farpas ao PS.

"Nós chegámos com a casa a arder. Outros chamaram a troika, a nós coube tirá-la de cá", disse o vice-primeiro-ministro, que seria seguido por Passos nesse raciocínio. O primeiro-ministro insistiu naquela que tem sido a sua mensagem: o caminho da "responsabilidade", ao invés da "inconsciência" e das "facilidades". Portas assinou por baixo: "Sugiro aos nossos concidadãos prudência e caldos de galinha."

Passos, de cravo na lapela - sublinhou que o 25 de Abril é "um dia carregado de simbolismo" -, vincou que daqui para a frente os portugueses terão nas mãos "uma escolha clara" entre o projeto da maioria e "voltar para trás". Dito de outra forma: à governação socialista.

De caminho, prometeu que "se tudo correr melhor" que aquilo que as duas forças políticas esperam "cá estaremos para aliviar as restrições". Quanto ao facto de ir de mãos dadas com os centristas ao sufrágio de setembro/outubro, Passos foi contundente: "Nunca antes se fez uma coligação que trouxesse tanta estabilidade. (...) Seria uma contradição se a coligação não estivesse pronta para se renovar."

Depois de frisarem que o acordo terá de ser submetido à apreciação dos órgãos dos dois partidos (comissões políticas e conselhos nacionais), Passos e Portas assinaram uma declaração conjunta. Na conferência de imprensa, não houve direito a perguntas por parte dos jornalistas.

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