A lista VIP só tinha quatro nomes: Cavaco, Passos, Portas e Núncio

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, Paulo Ralha, eram apenas quatro os nomes que faziam disparar as campainhas quando os seus dados fiscais fossem consultados.

A lista de contribuintes considerados VIP, cuja consulta de dados fiscais faria disparar automaticamente uma notificação para os serviços de auditoria, só tinha quatro nomes: o Presidente da República, o primeiro-ministro, o vice-primeiro-ministro e o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. É esta a convicção do presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI), Paulo Ralha, que na segunda-feira será ouvido pela Inspeção-Geral das Finanças no âmbito do inquérito sobre a existência da lista - que terá sido apenas um teste, uma medida de controlo que, segundo Brigas Afonso, nunca chegou à Direção de Serviços de Auditoria.

"Segundo as informações recolhidas pelo sindicato, a lista possuía quatro nomes", afirmou ao DN/Dinheiro Vivo Paulo Ralha, precisando que os acessos aos dados fiscais de Cavaco Silva, Passos Coelho, Paulo Portas e Paulo Núncio eram filtrados, "gerando um alerta e uma notificação junto do funcionário em causa para que este justificasse a consulta". Apesar de o presidente do STI garantir que tem informações que associam o nome de Núncio a este procedimento, que estaria ainda numa versão experimental, nenhum processo disciplinar ou de averiguações a funcionários que consultaram dados indevidamente tem origem num alerta originado pelo nome do secretário de Estado.

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