A direita portuguesa "navega à vista"

O filósofo José Gil diz que quem governa hoje em Portugal são a troika e o ministro das Finanças. Acusa a coligação governamental, de direita e centro direita, de "navegar à vista", conduzindo o País sem ter sequer uma "teoria económica global".

Em entrevista ao Gente que Conta, programa de entrevistas que esta semana é conduzido por João Marcelino, diretor do Diário de Notícias, o autor da obra "Portugal, Hoje - O Medo de Existir" assegura que a manifestação de 2 de março significa uma profunda mudança no modo de ser dos portugueses, um protesto pela "abolição da existência possível das pessoas".

Diz não perceber porque não apresenta a esquerda uma proposta concreta de governação do País e acusa o PS de ter metido o socialismo na gaveta por não ter outro socialismo para apresentar, o que se explica talvez pela "preguiça mental" do aparelho do partido.

Lamenta que o Presidente da República e o Governo estejam a "milhares de léguas da população e da realidade" e afirma que as recentes manifestações são fase de um processo que poderá culminar com a violência.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?