54% dos governantes desde o 25 de Abril com ligações à banca

O relatório "Lóbi a Descoberto: o mercado de influências em Portugal" apresentado hoje conclui que Portugal tem um baixo índice de transparência do lóbi: apenas 13%.

O relatório «Lóbi a Descoberto: o mercado de influências em Portugal», destaca a "falta de regulação da atividade de lóbi no nosso país", ao mesmo tempo que "recomenda um maior controlo sobre este setor, de forma a garantir informação fidedigna sobre as empresas e organizações que fazem lóbi junto dos decisores públicos portugueses".

O documento, elaborado pela Transparência e Integridade, Associação Cívica (TIAC) em parceria com o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) indica, de acordo com um comunicado da TIAC, que "os setores financeiro, da energia e da construção civil são identificados como os mais envolvidos em práticas de lóbi pouco transparentes".

Quanto aos meios utilizados nestas práticas são referidas "formas de influência direta ou indireta como a oferta de empregos bem remunerados a ex-políticos ou o recurso corrente a grandes escritórios de advogados nos negócios do Estado e no próprio processo legislativo ou regulatório".

O relatório destaca a banca como um setor em que há mais promiscuidade, sendo esta área de atividade profícua na criação de empregos para responsáveis públicos: "230 pessoas ocuparam um total de 382 cargos em instituições financeiras antes ou depois de terem desempenhado funções no Governo". O mesmo documento revela que, no total, "54% dos membros dos Governos desde o 25 de abril desempenharam funções na banca".

Além disso, a nível de ligações dentro do mesmo setor, é referido que "desde 1986, todos os governadores do Banco de Portugal tinham anteriormente ocupado posições na banca".

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