Insatisfação é o sentimento dominante

A esmagadora maioria dos inquiridos (83%) do barómetro da Católica declara-se "pouco" ou "nada satisfeita com o modo como funciona a democracia em Portugal. Os "bastante" ou "muito satisfeitos" são infinitamente menos: 15%, ao todo.

Estes números podem ser comparados com um outro estudo sobre o mesmo tema promovido em 2001 também pelo centro de sondagens da Católica. E as diferenças não são grandes. Já nessa altura o rumo da democracia provocava descontentamento na maior parte dos inquiridos. Com 56% a declarar-se "pouco satisfeitos" e 20% "nada satisfeitos". Ou seja: a percentagem global de "pouco" ou "nada satisfeitos" subiu de 76% para 83% nos últimos 13 anos.

No mesmo período, a percentagem dos que preferiram não responder diminuiu seis pontos percentuais, de 8% para 2%. Escrutinando as respostas atuais em função das preferências partidárias de cada inquirido, concluiu-se que "os eleitores que votam no PSD estão menos insatisfeitos do que os eleitores dos restantes partidos".

Diz a análise do barómetro que "enquanto entre os votantes PSD podemos encontrar 32% que estão satisfeitos com o funcionamento da democracia, nos restantes partidos essa percentagem não passa dos 16%". De notar que no Bloco de esquerda não há ninguém "bastante satisfeito" - apenas 10% se declaram "muito satisfeitos" (o grau mais elevado de satisfação).

Ao nível da insatisfação, o partido campeão é o Partido Socialista: 57% dos inquiridos socialistas declaram-se "pouco satisfeitos" com o rumo que Abril tomou e 28% "nada satisfeitos" - ou seja, 85% dos eleitores do PS estarão insatisfeitos. No eleitorado CDU esta percentagem é de 84%, a mesma que no CDS.

O barómetro analisou também as respostas consoante grupos etários e concluiu que o nível de insatisfação é menor - apesar de bastante alto - na faixa mais jovem (entre os 18 e os 24 anos). "Quanto aos escalões etários, a única diferença assinalável é entre os inquiridos mais jovens e os restantes: no escalão 18-24 anos , 22% declaram-se satisfeitos enquanto nos restantes essa percentagem não passa de 16%", lê-se na análise feita pelos autores do estudo.

Este mostra que a insatisfação vai subindo com a idade, atingindo o valor máximo - 86% de "pouco" ou "nada satisfeitos" - no escalão 45-54 anos. No escalão seguinte, entre os 55 e os 64 anos, esse valor desce um pouco, para 83% (56% de "pouco satisfeitos" e 27% de "nada satisfeitos". Mais uma vez, verifica-se que é mínima a percentagem dos que "não sabem" ou "não respondem". Varia, consoante os grupos etários, entre 1% (no grupo 55-64 anos) e 3% (no 18-24).

Nas comparações entre Portugal antes do 25 de Abril e Portugal pós-25 de Abril nota-se que as virtualidades sublinhadas são da conquista de mais liberdade e de mais democracia. Ao invés, quase dois terços (62%) acham que o País é hoje mais pobre do que era antes da revolução.

Ficha técnica

Esta sondagem foi realizada pelo CESOP - Universidade Católica Portuguesa para o Diário de Notícias, a Antena 1, a RTP e o Jornal de Notícias nos dias 12, 13 e 14 de abril de 2014. O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal Continental. Foram selecionadas aleatoriamente dezanove freguesias do país, tendo em conta a distribuição da população recenseada eleitoralmente por regiões NUT II e por freguesias com mais e menos de 3200 recenseados. A seleção aleatória das freguesias foi sistematicamente repetida até que os resultados eleitorais das eleições legislativas de 2009 e 2011 nesse conjunto de freguesias (ponderado o número de inquéritos a realizar em cada uma) estivessem a menos de 1% dos resultados nacionais dos cinco maiores partidos. Os domicílios em cada freguesia foram selecionados por caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o mais recente aniversariante recenseado eleitoralmente na freguesia. Foram obtidos 1117 inquéritos válidos, sendo que 59% dos inquiridos eram do sexo feminino, 31% da região Norte, 21% do Centro, 36% de Lisboa, 6% do Alentejo e 6% do Algarve. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição de eleitores residentes no Continente por sexo, escalões etários, região e habitat na base dos dados do recenseamento eleitoral e do Censos 2011. A taxa de resposta foi de 67%. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1117 inquiridos é de 2,9%, com um nível de confiança de 95%.