Inflação, desemprego e media influenciam resultados

Um estudo da Universidade do Minho concluiu que taxas elevadas de inflação e de desemprego quando combinadas com "intensa cobertura mediática" levam o eleitorado "a penalizar" os partidos do Governo nas eleições.

Assinado pelo investigador Paulo Reis Mourão, o estudo, publicado na revista Applied Economics Letters, analisou 70 países em quatro décadas.

Reis Mourão publicou ainda um outro estudo, na revista científica Government and Policy, com o título "Pork-barrel versus Irrelevance efects in Portuguese public spending", que aponta que o investimento público num município é tanto maior quanto a importância deste na "estratégica política" partidária, embora reconheça que os municípios com a "mesma cor" do que São Bento [Governo] "tendem" a ser favorecidos.

"As taxas de inflação e de desemprego são altamente erosivas da popularidade dos governos, fazendo com que tenham grande dificuldade em ser reeleitos quando sofrem períodos de inflação e desemprego elevado", disse.

Mas, salientou, "mais importante" é a evidência de que "é muito importante a forma" como as más notícias, o desemprego e a inflação, chegam ao eleitorado.

"Países com cobertura mediática mais intensa são países que estão de facto a ser monitorizados de modo especial pelo eleitorado que depois vai penalizar os governos por um mau desempenho económico, que se traduz no desemprego e taça de inflação", apontou.

Já sobre a distribuição do investimento público, Paulo Reis Mourão afirmou que "mais vale ser um município importante em termos de estratégia partidária do que propriamente ser um município da mesma cor que São Bento".

Segundo o investigador, "os municípios que são de menor dimensão podem ser da mesma cor política que São Bento, mas dada a sua irrelevância acabam por ficar desfavorecidos relativamente a municípios que tenham mais eleitorado, mesmo que estes estejam a ser governados por um partido oposto ao da maioria legislativa".

No entanto, reconheceu o investigador, os municípios que "são da mesma cor que São Bento tendem a ser mais favorecidos em termos de investimento público".

Os resultados deste segundo estudo são baseados na análise do Plano de Investimentos do Estado (PIDDAC) desde 1997, pelo que se referem apenas a Portugal.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG