"Indispensável parar criminoso processo" de fecho

Centenas de trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) aprovaram esta quarta-feira, em Lisboa, uma moção onde consideram "indispensável a suspensão do criminoso processo" de encerramento da empresa.

A moção, aprovada por unanimidade junto à residência oficial do primeiro-ministro, foi entregue a seguir no gabinete de Pedro Passos Coelho.

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, qualificou o processo de encerramento dos ENVC e o despedimento dos 609 trabalhadores como "caricato" por haver trabalho - os dois navios asfalteiros para a Venezuela - e questionou o porquê de retirar essa construção daquela empresa pública para a entregar à subconcessionária dos terrenos e infra-estruturas dos estaleiros.

O documento aprovado pelo milhar de participantes na manifestação, que começou com duas horas de atraso e contou com a presença das deputadas Carla Cruz (PCP) e Mariana Aiveca (BE), contesta "a liquidação de uma empresa viável e estratégica", sustenta que "o Governo tem de responder pelos prejuízos" causados e denuncia o fecho dos ENVC como "um crime minuciosamente preparado".

O líder da Comissão de Trabalhadores, António Costa, exortou o primeiro-ministro a visitar os estaleiros para verificar que há capacidade instalada e trabalhadores motivados.

Na sua intervenção, o líder da CGTP exortou os presentes a assinar a petição lançada em defesa dos estaleiros e que no início de 2014 será entregue no Parlamento. Depois reafirmou uma acusação já feita: este processo insere-se numa lógica de destruição da indústria naval nos países do sul da Europa para privilegiar os do centro e norte do continente, quando se prepara um gigantesco e altamente lucrativo processo de remodelação dos navios mercantes.

"É um potencial de negócio a que os estaleiros de Viana podem responder", porque têm projetos, experiência e motivação, frisou Arménio Carlos.

Particularmente visada foi a empresa Martifer, vencedora do concurso de subconcessão dos terrenos e infra-estruturas dos ENVC, que António Costa qualificou como "um grupo de arautos que tem vivido à custa do Estado" e que "não tem credibilidade financeira".

Note-se que a Martifer apresentou as garantias bancárias exigidas pelo concurso, que o presidente do acionista único dos ENVC disse há dias estarem suportadas pelo Montepio Geral.

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