Ideias de Frasquilho enquadram-se na "orientação" do PSD

O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, defendeu hoje que as declarações do deputado Miguel Frasquilho estão "inscritas" na "orientação" dos sociais-democratas de que a Europa não deixará de ser "solidária" tendo em conta o "comportamento" do país.

O vice-presidente do grupo parlamentar do PSD Miguel Frasquilho defendeu que a 'troika' devia flexibilizar os prazos do ajustamento financeiro de Portugal, concedendo mais dois anos para o cumprimento das metas fixadas e financiamento adicional.

"O doutor Miguel Frasquilho foi muito claro nas afirmações que fez, mas elas estão inscritas naquela que tem sido a nossa orientação desde o início", disse Luís Montenegro aos jornalistas, no final da reunião do grupo parlamentar social-democrata.

"Nós sempre dissemos que ao Governo competia executar o Orçamento do Estado e cumprir as suas obrigações que decorrem da assinatura do memorando de entendimento com a 'troika' e que nós faríamos esse esforço sempre sintonizados com essa necessidade e, se eventualmente, por razões externas, algum dia se colocasse uma questão, ela teria que ser vista pelos nossos parceiros atendendo ao comportamento que tínhamos dito", declarou.

O presidente do grupo parlamentar do PSD disse que "foi isso que aconteceu, por exemplo, em todas as conclusões dos conselhos europeus do último ano, onde se diz que se os países que estão a ter intervenção cumprirem com sucessos os seus programas, a Europa não deixará de ser solidária em caso de haver alguma necessidade superveniente".

Essa "necessidade superveniente" seria "por força" não do "comportamento" e da "responsabilidade" do Governo, mas devido a "fatores externos", insistiu.

Questionado sobre se o PSD e o Governo já chegaram à conclusão de que há um cenário desse teor, Luís Montenegro respondeu: "Não é verdade isso, não há nenhum fundamento para poder dizer uma coisa dessas".

Confrontado com o facto de PSD e Governo terem vindo a recusar a ideia de mais tempo e mais dinheiro, o líder parlamentar social-democrata disse que também não foi isso que Miguel Frasquilho pediu.

"Nem o doutor Miguel Frasquilho pediu", afirmou.

Em declarações à agência

"Perante isto, penso que seria justo a 'troika' [Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional] reconhecer o trabalho de casa que o Governo tem feito e premiar esse trabalho de casa com uma flexibilização de prazos que não impusesse mais austeridade aos portugueses", defendeu o antigo secretário de Estado do Tesouro e Finanças.

Quanto ao grau desse prolongamento de prazos, Miguel Frasquilho afirmou: "Não sei se um ano seria suficiente, penso que dois anos podia ser mais apropriado".

Antes das declarações de Luís Montenegro, Miguel Frasquilho saiu da reunião do grupo parlamentar para prestar declarações

à imprensa, referindo que a "competência do Governo pode vir a ser reconhecida em termos internacionais", mas sem falar em alargamento de prazos.

"Entendo que o Governo deve continuar a cumprir como tem cumprido até aqui, todas as outras decisões não dependem evidentemente do Governo, seria bom que elas pudessem ser reconhecidas internacionalmente", afirmou.

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