Homenagens da direita à esquerda revolucionária

Os três ex-presidentes da República eleitos, o antigo ministro do regime ditatorial Adriano Moreira e o atual primeiro-ministro foram algumas das personalidades que compareceram hoje no velório do eurodeputado Miguel Portas que morreu terça-feira.

A meio da tarde, várias centenas de pessoas formavam uma fila com mais de 200 metros à porta do Palácio Galveias, em Lisboa, para prestar a última homenagem ao fundador do Bloco de Esquerda, cujos restos mortais serão cremados no domingo, numa cerimónia privada.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, salvaguardando as diferenças políticas, disse que quis homenagear o "homem de convicções", a "personalidade muito respeitada pelos adversários políticos" que "lutou muito para construir uma democracia tolerante".

O "sentimento de humanidade" que lhe reconhecia e a "maior consideração e admiração" que por ele nutria foram algumas das razões que Adriano Moreira invocou para ir apresentar as condolências à família de Miguel Portas e aos seus camaradas de partido.

O antigo chefe de Estado Jorge Sampaio, que compareceu tal como os seus antecessores Ramalho Eanes e Mário Soares, manifestou "muita estima" por Portas e pela sua família, que inclui o irmão Paulo, atual ministro dos Negócios Estrangeiros.

Mais à direita, o seu ex-colega no Parlamento Europeu Vasco Graça Moura, eleito pelo PSD, disse que eram amigos antes de se cruzarem em Bruxelas e fez questão de salientar a "dimensão humana e cívica" do antigo jornalista, com quem trabalhou na Comissão Nacional criada para comemorar os descobrimentos portugueses.

O PSD fez mesmo questão de deslocar ao Palácio Galveias uma delegação de três dirigentes liderada pelo vice-presidente Jorge Moreira da Silva para manifestar solidariedade à família e à força política que representava, o Bloco de Esquerda (BE), valorizando-lhe as qualidades de "político, jornalista e homem de cultura".

No mesmo espetro político, o ex-ministro Ângelo Correia chamou-lhe um "lutador de esquerda", área onde disse "deixar um lugar" e realçou-lhe "o ponto de vista humano".

O presidente da Associação 25 de Abril e um dos militares que fez a revolução, Vasco Lourenço, disse ter ido despedir-se de "um amigo e democrata", cuja morte deixa "Portugal e o [espírito do] 25 de abril mais pobres".

Eurodeputados como Elisa Ferreira (PS), Diogo Feio (CDS) ou Rui Tavares, eleito pelo BE donde se afastou posteriormente, os deputados Inês Medeiros (PS), Luis Fazenda e Ana Drago (BE) e o ex-candidato do PCP à presidência da República António Abreu foram outras figuras políticas que se deslocaram ao Palácio Galveias para homenagear Miguel Portas, que faria 54 anos na terça-feira.

O fadista Camané e o maestro António Vitorino d"Almeida também marcaram presença no velório.

Junto ao túmulo, recebiam as condolências os pais do eurodeputado, Helena Sacadura Cabral e Nuno Portas, e os dirigentes do BE Francisco Louçã, João Semedo, José Manuel Pureza e Marisa Matias.

Tanto a cremação como o funeral, que decorrem ambos no domingo, terão caráter privado. No mesmo dia decorre no Teatro de S. Luiz, em Lisboa, uma homenagem pública a Miguel Portas.

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