Há um divórico entre o que se diz e o sentimento popular

O primeiro-ministro afirmou hoje que há um "divórcio muito grande" entre o que se diz no espaço público e o sentimento dos portugueses e recomendou aos mais impacientes para não confundirem os seus desejos com a vontade do país.

"Há um divórcio muito grande entre o que se vem dizendo no espaço público e aquele que é o sentimento genuíno dos portugueses, mesmo aqueles que não apoiam o Governo e que se mostram desagradados pelo facto e termos de tomar medidas tão difíceis", afirmou Pedro Passos Coelho.

O governante comentou hoje, em Vila Pouca de Aguiar, as declarações do ex-Presidente da República Mário Soares que referiu a política de austeridade da 'troika' está a levar o país ao "desastre" e ao "abismo", defendendo que é urgente demitir o Governo "incompetente" e "agarrado" ao poder.

"Um Governo que está suportado numa maioria do parlamento em eleições que ocorreram há cerca de dois anos só pode ser um Governo legítimo. Mal estaria o país se perante as dificuldades, as pessoas entendessem que era convocando eleições que elas se ultrapassavam ou resolviam, julgo mesmo que parte do povo português tem uma noção muito clara de que é exatamente ao contrário", salientou Passos Coelho.

O chefe do Governo referiu mesmo que o que é preciso neste momento é que o país se una nesta fase para ultrapassar as dificuldades.

"Há um caminho que foi percorrido nestes dois anos que revelou uma grande resiliência do povo português, as pessoas fizeram sacrifícios muito importantes e isso trouxe uma dor social que é reconhecida fora de Portugal", acrescentou.

Pedro Passos Coelho considerou que, neste momento, se estão a lançar as bases de um crescimento e uma prosperidade futura, de modo a que não se volte "ao princípio".

"Que era exatamente o que aconteceria, era um regresso a março ou abril de 2011 se o país agora se precipitasse numa crise política e tivesse de ir para eleições", frisou

No tempo próprio, segundo o primeiro-ministro, haveremos de ter eleições. "Esse tempo próprio ainda não chegou", sustentou.

E, para aqueles que estão mais impacientes, ou mais desesperados, Passos Coelho recomenda "vivamente que não confundam os seus desejos pessoais com a vontade do país".

"Os portugueses não estão interessados em refregas políticas, estão interessados em vencer a crise e há os que concordam e os que discordem", sublinhou.

Questionado sobre mais uma manifestação esta manhã na Assembleia da República (AR), o primeiro-ministro salientou a necessidade de se respeitarem as regras.

"E isso é importante qualquer que seja a nossa posição, podemos estar de acordo ou desacordo, mas temos de respeitar regras. O parlamento é a casa da democracia e não há democracia sem regras", sublinhou.

Para Passos Coelho, "a ideia que podemos dizer sem consequências o que quisermos, impor aos outros o que quisermos, é uma ideia que é contrária à democracia, a democracia tem regras".

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