Há dois países: o rosa e o dos outros

A unanimidade é total: todos os partidos alertam para a "situação preocupante" do país e criticam a ausência de "reformas estruturais" da governação socialista. O PS responde que "felizmente os portugueses" não vivem "nesse país" que a oposição diz existir. Esta quarta-feira, às 15 horas, o Estado da Nação vai a debate no Parlamento.

Três meses e 21 dias. Mas ninguém na oposição faz as contas assim, nem mesmo o BE, antigo parceiro na geringonça: "O Governo não mudou, piorou". Os seis anos, sete meses e 25 dias de governação socialista, liderada por António Costa, só são reduzidos a quase quatro meses para sublinhar um "fim de ciclo" de um governo que, nas palavras de Joaquim Miranda Sarmento, novo líder parlamentar do PSD, anda "desorientado, desorganizado e, sobretudo, sem capacidade reformista, cansado".

Um governo que "tem todas as condições de governação", da maioria absoluta ao PRR "que ia resolver os problemas do país", e até "um ambiente institucional de colaboração com outros poderes", mas nem assim "é capaz de promover as reformas estruturais para resolver os problemas graves que o país tem", nem de "resolver aquilo que são problemas mais conjunturais, que afetam o dia a dia dos portugueses".

Para Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega, terceira força política no Parlamento, o país "está a viver uma situação extremamente difícil, uma situação que está no limite". E tudo isto porque "nunca houve um Governo que, tão rapidamente, deixasse um país no caos como este deixou". Na prática, afirma, este "é um Governo fraco e frágil".

João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, diz que "quando se olha para o estado do Estado, tem de se confessar que ele é preocupante". Ou seja, o que existe é "um governo que não antecipa os problemas, não planeia a forma de resolver os problemas e acaba por não resolver os problemas".

O que a António Costa "causa arrepios" - "as reformas estruturais" - é a solução, defende, porque "não podemos continuar a viver assim".

O diagnóstico do PCP é em tudo semelhante. "A situação nacional no nosso país está marcada pelo agravamento das condições de vida dos trabalhadores e do povo, pela perda de poder de compra", constata Paula Santos, líder parlamentar dos comunistas.

Sem "medidas fortes" - "valorização dos salários e das pensões (...) uma intervenção no controlo e fixação de preços", por exemplo - não se trava o agravar da situação.

Pedro Filipe Soares, do BE, olha para o "empurrar com a barriga" do governo, o adiar resolver "os problemas estruturais do país", e conclui que o "povo sofre" e que "uma pequena elite está a beneficiar" com "esta governação". É como "se o lema do governo" fosse: "o país segue dentro de momentos".

Inês Sousa Real, do PAN, diz ver "com preocupação" que "há uma ausência de reflexão mais aprofundada sobre as reformas estruturais que o país precisa de fazer".

Rui Tavares, do Livre, olha para os tempos que se avizinham e afirma que "Portugal tem uma década para se reinventar" e que esta é "muito provavelmente a última oportunidade" que o país tem para ser "uma economia e uma sociedade e vanguarda na União Europeia".

O socialista Eurico Brilhante Dias refuta as acusações e afirma que "felizmente os portugueses não vivem nesse país" relatado pelos outros partidos.

Há, diz, um "estado de esperança" sustentado no "crescimento económico" e na baixa da "taxa de desemprego". E até existe "diálogo", uma "vontade" que é "uma marca genética desta maioria absoluta".

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