Guterres. É altura de "tocar a rebate" pelos oceanos

Secretário-geral das Nações Unidas e os presidentes dos dois países organizadores da Conferência dos Oceanos, Portugal e Quénia, juntaram-se numa conferência de imprensa para defender que as palavras já não chegam, é preciso passar à ação.

Já não bastam as palavras, é preciso que da Conferência dos Oceanos que decorre esta semana em Lisboa saiam ações, numa altura que já é de "toque a rebate" pela preservação dos Oceanos. António Guterres, Marcelo Rebelo de Sousa e Uhuru Kenyatta, presidente do Quénia - país quer organiza o evento em parceria com Portugal - juntaram-se para uma conferência de imprensa a três no Altice Arena, mas com uma mensagem única: são necessárias soluções para salvar um ecossistema que é fulcral para o mundo, e ninguém pode ficar fora desse esforço.

António Guterres foi buscar uma memória de infância para ilustrar o momento: quando, na aldeia dos avós, os sinos tocavam a rebate para avisar de um incêndio, e todos se mobilizavam para defender a aldeia. É isso mesmo que é preciso fazer agora, diz Guterres, um "toque a rebate" para "trazer todos para lutar esta luta". E qual é o maior obstáculo à proteção dos oceanos? "O egoísmo", responde o secretário-geral da ONG, apontando o dedo aos que se julgam (pessoas ou países) tão poderosos que acham que as águas internacionais são suas. "Mas as águas internacionais são nossas, de todos os países do mundo", acrescentou Guterres, lembrando que "estamos a lidar com a proteção da biodiversidade".

Uhuru Kenyatta, presidente do Quénia, também carregou no tom para defender que "as palavras não nos vão ajudar", são "necessárias ações": "Soluções já temos, não podemos continuar com palavras vazias". "É minha esperança que todas as delegações [presentes na Conferência dos Oceanos] encontrem um consenso", afirmou o presidente queniano, sublinhando que na primeira Conferência dos Oceanos, realizada pela ONU há cinco anos, se "fizeram muitos compromissos". Agora é tempo de transformar esses "compromissos em ação".

Para Marcelo Rebelo de Sousa, Lisboa pode ser um "ponto de partida para uma grande mudança, pode ser o caminho para o futuro" em matéria de preservação dos oceanos.

Questionado por um jornalista brasileiro sobre se colocará este tema em cima da mesa na visita que fará ao Brasil, já a partir da próxima sexta-feira, por ocasião do centenário da travessia do Atlântico Sul, o Presidente da República não só garantiu que sim, como adiantou uma novidade. "Terei a oportunidade de me encontrar tanto com o Presidente como com antigos presidentes, com pelo menos dois candidatos à presidência. A mensagem será a mesma: a declaração de Lisboa e o que significa para todos, e também para o Brasil", disse Marcelo Rebelo de Sousa na conferência de imprensa. A agência Lusa confirmou entretanto, junto de fonte da Presidência, que o Presidente da República vai encontrar-se com Lula da Silva e Michel Temer.

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