Grupos de cidadãos são a quarta "força política"

Movimentos de independentes que conquistaram câmaras municipais representam 6% dos candidatos eleitos presidentes.

A subida tem sido gradual e neste ano, apesar de haver menos candidaturas a presidências de câmaras [83 em 2017, 79 candidatos nestas eleições autárquicas], o resultado ultrapassou as autarquias conquistadas há quatro anos. Os independentes conseguiram ganhar 19 câmaras [foram 17 em 2017], eleger 115 vereadores [113 em 2017] e obter nove maiorias absolutas [há quatro anos foram 13].

A implantação dos grupos de cidadãos (independentes) - que já são a quarta "força política", muito próximos da CDU - começa também a afetar as tradicionais candidaturas dos partidos políticos, principalmente socialistas e sociais-democratas. As câmaras do Porto (Rui Moreira), de Oeiras (Isaltino Morais), da Figueira da Foz (Santana Lopes) e de Elvas (José António Rondão Almeida) são alguns dos exemplos mais conhecidos. Nestas autárquicas, o PS perdeu seis municípios (Marinha Grande, Golegã, Figueira da Foz, Manteigas, Elvas e Mealhada) e o PSD quatro (Batalha, Guarda, Ílhavo e Caldas da Rainha). Em sentido contrário, o PSD coligado com o CDS, ganhou as câmaras de Redondo (no distrito de Évora), Portalegre e São Vicente (Madeira) a movimentos independentes e ainda a autarquia de Águeda (mas aqui coligado com o MPT); já o PS ganhou a independentes, face a 2017, as câmaras de Estremoz (Évora), Vila do Conde (Porto), Vila Nova de Cerveira (Viana do Castelo) e Vizela (Braga).

Em nove autarquias, os independentes conseguiram maiorias absolutas: Ribeira Brava (Madeira), São João da Pesqueira (Viseu), Calheta (Açores), Aguiar da Beira (Guarda), Oeiras (Lisboa), Golegã (Santarém), Batalha (Leiria), Anadia (Aveiro) e Borba (Évora).

A maior votação verificou-se na Ribeira Brava (Madeira) com 63,19% dos votos.

A vitória mais curta registou-se em Peniche , com 30%, tal como já tinha acontecido em 2017, mas nessa altura o Grupo de Cidadãos Eleitores por Peniche retirou do poder a CDU que governava a câmara desde 2005. A mudança colocou os comunistas como quarta força política, lugar que mantiveram agora em 2021.

artur.cassiano@dn.pt

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