Governo tem de poupar pobres nos cortes, afirma o Bispo de Beja

O Governo liderado por Passos Coelho tem de poupar a população portuguesa mais carenciada nos cortes anunciados na área social, caso contrário "a Igreja também não se pode calar", disse hoje o bispo de Beja.

Vitalino Dantas ressalvou que desconhece como se vão refletir os cortes na despesa pública anunciados pelo primeiro-ministro, mas espera que "sejam equitativos" e não incidam sobre aqueles que têm salários mínimos.

Nesse caso, sustentou, "estamos a criar um estado que não só não é social como é contra a dignidade humana que é preciso respeitar" e, "então, aí, a Igreja [Católica] não se pode calar".

O prelado, um dos responsáveis da Comissão Episcopal Social e da Mobilidade Humana, sublinhou que está esperançado que "os políticos tenham realmente o bom senso de ir buscar aquilo que é preciso para satisfazer os compromissos" de Portugal com a troika.

"Mas [o Governo] que não vá buscar onde realmente não há nada para tirar", reforçou, explicando que apesar da Igreja Católica não ser formada por políticos tem a missão de "fazer de porta-voz das pessoas que sofrem injustiças", assumindo o papel de "defensores dos mais pobres".

O bispo de Beja expressou ainda a sua preocupação com "a grande maioria do povo português que ou está desempregado ou [aufere] salários mínimos".

No domingo, o primeiro-ministro garantiu que o Governo não irá aumentar os impostos como forma de compensar as normas orçamentais chumbadas pelo Tribunal Constitucional, optando por reduzir a despesa pública com segurança social, saúde, educação e empresas públicas.

"Quero dizer a todos os portugueses que o Governo não aceita aumentar mais os impostos, que parece ser a solução que o Tribunal Constitucional favorece nas suas interpretações. Fazê-lo poria em causa irremediavelmente as nossas possibilidades de recuperação atempada da economia e da criação de emprego", afirmou Pedro Passos Coelho, numa declaração ao país, na residência oficial de São Bento, em Lisboa.

Esta declaração aconteceu na sequência do chumbo do Tribunal Constitucional (TC), anunciado na sexta-feira, de quatro normas do Orçamento do Estado para 2013, referentes à suspensão do pagamento do subsídio de férias a funcionários públicos, aos contratos de docência de investigação e aos pensionistas e a criação de uma taxa sobre as prestações por doença e por desemprego.

"Para compensar o desequilíbrio agora aberto no Orçamento em 2013 teremos de pôr em prática, ainda este ano, medidas de contenção da despesa pública, nomeadamente nas áreas da segurança social, saúde, educação e empresas públicas", afirmou o primeiro-ministro.

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