Governo segue modelo de 'salários de miséria' de Salazar

O secretário-geral do PCP afirmou hoje que o exemplo e o pensamento de Álvaro Cunhal "ecoa com redobrada atualidade" perante um Governo que segue o mesmo modelo económico de "salários de miséria" e "emigração" de Salazar e Caetano.

"Na atual situação do país, com as consequências de anos de política de direita e da sua ofensiva, do recente pacto de agressão de austeridade e saque nacional, assinado por PS, PSD e CDS com a 'troika' estrangeira, e do processo de integração europeia, a contribuição de Álvaro Cunhal ecoa com redobrada atualidade", afirmou Jerónimo de Sousa, no dia em que o líder histórico do PCP faria 99 anos, numa sessão em Lisboa em que o partido apresentou as comemorações do centenário.

Jerónimo de Sousa lembrou o percurso de vida, político e artístico de Cunhal para sublinhar que denunciou e combateu durante "a velha ideia da natural pobreza do país proclamada pela ditadura fascista" e a "mistificação das classes dirigentes para encobrir a política de rapina e exploração do povo a favor dos grandes grupos monopolistas", concluindo que "está hoje de regresso" com a "apologia do empobrecimento" como forma de superar a crise "assente na ideia de que os portugueses vivem acima das suas possibilidades".

"A ofensiva em curso, a coberto do tal pacto, que utiliza e coloca o Estado ao serviço dos grandes grupos económicos e do seu projeto, está bem patente na iniciativa de liquidação dos direitos laborais do atual Governo com o apoio do PS, na política oficial de redução compulsiva de salários de miséria, baixo valor acrescentado e emigração que mais não é que o modelo de Salazar e Caetano", disse o secretário-geral do PCP.

Depois de fazer várias críticas ao "pior Orçamento do Estado de que há memória", "portador do maior saque fiscal de sempre em democracia e de brutais cortes nas funções sociais do Estado", o líder do PCP lembrou "um ensinamento" de Cunhal.

"Um ensinamento que Álvaro Cunhal nos legou é o de que, sejam quais forem as circunstâncias existentes em cada momento, a luta é sempre necessária e vale sempre a pena, porque será ela e a força que dela emana, em última instância, a determinar a evolução dos acontecimentos. Isso está presente na luta atual que está a conduzir ao crescente isolamento social e político do atual Governo", afirmou, apelando à participação na greve geral convocada pela CGTP para quarta-feira.

O PCP apresentou hoje "os elementos centrais" do programa de comemorações do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal, que têm como mote: "Vida, pensamento e luta: exemplo que se projeta na atualidade e no futuro".

As comemorações arrancarão a 19 de janeiro, com uma "sessão pública" em Lisboa e terminarão a 03 de janeiro de 2014, dia em que, em 1960, Cunhal fugiu da prisão de Peniche.

Centenas de iniciativas políticas, culturais e académicas lembrarão Cunhal por todo o país, entre as quais uma "grande exposição" em Lisboa, no Pátio da Galé do Terreiro do Paço, e um congresso que o PCP pretende que ultrapasse as fronteiras do partido.

O PCP enviou ainda apelos e convites a centenas de entidades de todo o país, que não fazem parte do partido, para que se somem a estas comemorações, sublinhando a "dimensão humana, militante, artística e cultural" de uma personalidade que marcou o século XX e o início do século XXI em Portugal.

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