Governo recusa comentar contratação de Sócrates para a RTP

O Governo PSD/CDS-PP recusou hoje comentar a contratação do ex-primeiro-ministro José Sócrates para comentador na RTP, afirmando o princípio de não interferência nos critérios editoriais de nenhum órgão de comunicação social.

"O Governo e, por maioria de razão, o Conselho de Ministros não tem rigorosamente nada que ver com os conteúdos informativos dos órgãos de comunicação social", afirmou o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Luís Marques Guedes, em resposta aos jornalistas, no final da reunião semanal do Executivo.

Marques Guedes acrescentou que "essa é uma matéria da exclusiva responsabilidade editorial da empresa e dos critérios jornalísticos que são utilizados pela própria empresa" e que "o Governo não se imiscui, obviamente, nem nesses critérios, nem nessa responsabilidade editorial".

O secretário de Estado da Presidência também não quis fazer qualquer comentário sobre o significado de um regresso a Portugal de José Sócrates, que depois de seis anos à frente de governos do PS, na sequência da derrota nas legislativas de junho de 2011, foi estudar e residir para Paris.

"A minha resposta será sempre a mesma. Em Portugal existe liberdade de expressão e liberdade na comunicação social e a responsabilidade pelos conteúdos editoriais e os critérios jornalísticos que são utilizados pelos órgãos de comunicação social não são da responsabilidade do Governo, e muito menos do Conselho de Ministros", reiterou Marques Guedes.

O diretor de informação da RTP, Paulo Ferreira, confirmou hoje à Lusa que a estação pública de televisão vai ter, a partir de abril, o ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates e o antigo ministro da Presidência social-democrata Nuno Morais Sarmento como comentadores políticos.

De acordo com uma notícia da edição de hoje do Diário de Notícias, a estreia do espaço de comentário político de José Sócrates será antecedida por uma grande entrevista em que o ex-primeiro-ministro pretende esclarecer alguns temas a propósito dos seus seis anos de governação.

Segundo o DN, as negociações decorreram desde o início do ano e cada programa será semanal, com duração de 25 minutos.

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