Governo quer "matar projeto que cria emprego"

O presidente da Câmara do Porto acusou hoje o Governo de "falta de capacidade para entender o que é elementar" no caso da reabilitação urbana da cidade e de querer "matar um projeto que cria emprego, crescimento económico e dinamismo".

"Isso não é racional e é por não ser racional e por não ter pés nem cabeça que com facilidade o Porto se uniu de uma forma que não me lembro de ver, nem por vivência própria, nem pelos livros", sublinhou o autarca no final de um encontro com mais de uma centena de personalidades da cidade para debater "o boicote" que o Governo está a fazer à PortoVivo SRU.

"Há quem admita que há aqui questões de caráter político-partidário, sinceramente não é o que eu subscrevo, porque isso seria completamente absurdo, acho que aqui há uma incompreensão para algo de perfeitamente vital", acrescentou.

Os participantes na reunião assinaram uma carta aberta ao Governo condenando a sua ação e a reclamar um apoio empenhado à reabilitação da baixa do Porto e uma atitude de respeito pela cidade.

"Temos aqui uma coisa única, todos os setores de atividade, todos os presidentes de câmara eleitos que ainda estão vivos, todos os reitores da universidade que também ainda estão vivos, os principais empresários, cientistas, presidentes dos conselhos científicos das principais faculdades, ou seja, o Porto completamente unido repudiando uma atitude do Governo para com a Sociedade de Reabilitação Urbana da baixa do Porto de uma forma inigualável. Chega a ser até emocionante como é que se consegue juntar o Porto desta maneira", afirmou Rui Rio.

O autarca disse esperar que o Governo entenda a "grandeza" deste movimento, sendo certo, diz, que se está a falar "de um contributo da administração pública mínimo para um projeto de uma grandiosidade tremenda e que é decisivo para o crescimento económico e para a criação de emprego na cidade do Porto"

"Destruir um projeto desta grandeza é algo de completamente irresponsável e é isto que todas estas personalidades que aqui estiveram, ou que não puderam estar aqui hoje mas que já assinaram a carta, estão a dizer ao Governo de Portugal", frisou.

De acordo com o presidente da Câmara do Porto, o que está em causa é "um contributo de mais ou menos um milhão e pouco de euros por ano para a reabilitação da baixa da segunda cidade do país que, desde 2005 até hoje, já conseguiu mais de 500 milhões de euros investimento privado".

"À volta deste hotel onde estamos [Intercontinental], abriram há pouco tempo ou estão quase a abrir 18 novas unidades hoteleiras, as companhias de aviação 'low-cost' [baixo custo] trazem imensos jovens todos os fins de semana, a Baixa está com uma vitalidade como nunca teve, Portugal está como está. Vamos matar este projeto, criar ainda mais desemprego? Trair a confiança dos investidores privados, das pessoas que abriram restaurantes, bares, hotéis, negócios? Isso é algo de perfeitamente incompreensível", sustentou.

"Não podemos criar ainda mais desemprego e mais depressão, isto tem a ver com salvar um projeto vital que cria emprego, que defende o património cultural, que arrasta a construção civil, enfim não há explicação para uma coisa destas e por isso é que esta carta é longa", defendeu ainda.

O autarca explicou que a carta aberta ao Governo foi escrita por si, mas garantiu que tem "o contributo de muitos notáveis da cidade, dos mais diversos setores".

"A minha obrigação é, em primeiro lugar, defender aqueles que me elegeram para presidente da câmara do Porto, depois é que podem vir outras fidelidades. Os partidos políticos são um instrumento para desenvolver o país e desenvolver as cidades, não é o contrário. Não são um fim em si mesmo e, portanto, sou fiel a quem me elegeu sejam os portuenses, sejam, de certa forma, indiretamente, os portugueses, na medida em que os portuenses também são portugueses", acrescentou.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG