Governo escolheu "caminho da conflitualidade"

A Associação Nacional de Sargentos (ANS) acusou hoje o Governo de escolher "o caminho da conflitualidade" ao recolocar os militares em posições remuneratórias de 2009 e defendeu que o Presidente da República deve pronunciar-se sobre o assunto.

"A ser verdade que este processo vá por diante, é uma total falta de respeito pelos chefes militares, é a desautorização pública dos próprios chefes, o que pode pôr em causa toda a coesão das Forças Armadas e por consequência, desautoriza, todos os militares, isto é muito grave", afirmou à agência Lusa o presidente da ANS, António Lima Coelho.

Os ministros da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, e das Finanças, Vítor Gaspar, assinaram hoje o despacho que faz regressar milhares de militares ao nível remuneratório que tinham em 2009, antes de vigorar o novo sistema retributivo, confirmou à agência Lusa fonte do Governo.

"Não conhecendo todos os contornos, registo que o Governo optou, não pela via da pacificação, mas pela via da conflitualidade", considerou o presidente da ANS.

Lima Coelho interpelou também o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva: "Não sei o que é que o senhor comandante supremo das Forças Armadas pretende fazer sobre este ato de desrespeito à instituição militar".

O líder da ANS advogou ainda que José Pedro Aguiar-Branco, que em 2009 foi deputado e depois líder parlamentar do PSD, "não está isento de responsabilidades" nas promoções irregulares causadas pela aplicação do novo sistema remuneratório, afirmando que, nessa altura, as associações tiveram reuniões com o grupo parlamentar social-democrata e a Comissão Parlamentar de Defesa, nas quais apelaram para a "suspensão" do decreto-lei.

"O senhor ministro hoje não pode sacudir a água do capote e empurrar para cima dos militares o odioso da questão", disse.

Para Lima Coelho, "fazer regredir os militares nesta altura, contraria afirmações do senhor ministro quando na visita natalícia tratou os militares como embaixadores e motivo de orgulho, e depois, dentro de fronteiras, os trata como incumpridores da lei".

"Alguém que incumpre uma lei não pode ser motivo de orgulho, portanto, há aqui uma contradição que o senhor ministro tem de explicar", advogou.

O presidente da ANS adiantou ter convocado uma reunião de direção para quarta-feira, dia 4 de janeiro, e frisou que vai pedir audiências e "apelar a todas as instituições para a não aplicação deste despacho".

"Isto pode abrir caminho a um caminho de conflitualidade nada desejável", rematou.

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