Governo deplora confusão entre fazer-se ouvir e silenciar

O secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros deplorou hoje a "triste confusão" feita por "grupos minoritários", que têm perturbado iniciativas onde participam membros do Governo, entre o "direito de se fazerem ouvir" e o "silenciar os outros".

"Há de facto alguns fenómenos nos últimos dias em que tem havido uma triste confusão entre o direito que todas as pessoas têm de se fazer ouvir, inclusive nos seus protestos, com o direito a silenciar os outros. Porque esse direito a silenciar os outros não existe em relação a nada nem a ninguém numa sociedade tolerante e democrática como a nossa", disse Luís Marques Guedes, no final da reunião do Conselho de Ministros.

Frisando que o tema não foi abordado na reunião do executivo, o governante afirmou que o Governo "não confunde situações pontuais" com o que, disse, "é o sentir, os princípios e os valores democráticos e de tolerância da generalidade da sociedade portuguesa".

"As situações que têm ocorrido são de grupos perfeitamente minoritários, que de todo em todo não se confundem com a maneira com que os portugueses e a sociedade portuguesa em geral aceita em termos de tolerância o jogo democrático e o respeito pelos outros", comentou.

Para Marques Guedes, os episódios que têm marcado nos últimos dias aparições públicas de membros do Governo revelam "sintomas de alguma arrogância e intolerância" que "não são apanágio da sociedade portuguesa nem são reflexo daquilo que é a maneira de ser, estar e sentir da generalidade dos portugueses".

"Espero que haja pelo menos da parte desses grupos minoritários algum respeito por aquilo que são seguramente os seus direitos de protestar, mas ter a consciência que esses direitos de protestar não incluem o direito de silenciar os outros, porque isso não faz qualquer tipo de sentido numa democracia madura e estável como é a democracia portuguesa", apelou.

O secretário de Estado assegurou ainda não terem existido "alterações de agendas dos membros do Governo".

"Relativamente a reforço ou cuidado das forças de segurança, que eu tenha conhecimento também não, mas isso diz respeito obviamente às próprias forças de segurança e à análise de risco que possam fazer das situações", acrescentou.

No debate quinzenal na Assembleia da República, na última sexta-feira, o primeiro-ministro foi interrompido no momento em que intervinha perante o plenário por um grupo de pessoas que, das galerias reservadas ao público, entoou a canção "Grândola Vila Morena", música emblemática da revolução de 25 de Abril de 1974.

Esta terça-feira, o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares Miguel Relvas foi vaiado por algumas dezenas de alunos quando participava no encerramento de uma conferência da TVI, a decorrer em Lisboa, acabando por ter que abandonar a sala sem discursar.

Quarta-feira, o ministro da Saúde foi também impedido de falar no momento em que ia iniciar a sua intervenção numa conferência no Porto sobre o sistema de saúde para além de 2014 por um pequeno grupo de pessoas que entoaram a canção "Grândola Vila Morena".

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