Governo corta apoios quando desemprego atinge "pico" histórico

O deputado bloquista Pedro Filipe Soares acusou hoje o Governo de "virar as costas" à geração mais qualificada de sempre e escolher voluntariamente uma "política de desemprego" ao cortar nos apoios quando este atinge níveis históricos em Portugal.

Na abertura de um agendamento potestativo da sua bancada sobre precariedade e desemprego, na Assembleia da República, o deputado do BE advertiu que o desemprego aumenta "a ritmo descontrolado" e que "já foram destruídos 203 mil postos de trabalho desde que o Governo PSD/CDS tomou posse", acusando a maioria de "ensaiar agora uma nova desculpa".

"Nunca poderíamos adivinhar que isto ia acontecer, não estava nos planos do Governo e da "troika'. Desculpem, senhoras e senhores deputados do PSD e CDS? Não podiam adivinhar, como assim?", interrogou.

Pedro Filipe Soares sublinhou que desde a tomada de posse do Governo "não faltaram avisos" de que nunca seria possível "uma economia sair da recessão através da austeridade", afirmando que da parte da maioria houve contestação às "vozes dos velhos do Restelo, que não acreditam nos portugueses e na sua capacidade de mobilização".

Segundo Pedro Filipe Soares, quando "o desemprego atinge mais de um milhão e 200 mil pessoas no nosso país e nunca tantos pretenderam trabalhar sem ter sítio para o fazer", o Governo "não quer perceber que são as suas próprias políticas que estão a atirar milhares de pessoas para o desemprego".

"Quem escolhe a austeridade vira as costas ao emprego e abre a porta à recessão e destruição da economia, a geração mais qualificada de sempre é atirada para o desemprego, quando a crise bate mais forte, mais frágeis são os apoios sociais para quem está desempregado, no pico do desemprego em Portugal, o Governo cortou quer na duração do subsídio de desemprego, quer no seu valor, baixou para metade o tempo de duração e o seu valor médio", criticou.

"O desemprego não caiu das árvores, é uma política", ironizou, advertindo os deputados da maioria de que atualmente "há mais casais desempregados que não têm acesso ao subsídio de desemprego do que aqueles que foram bafejados pela sua majoração" - uma "bandeira' do CDS-PP.

O parlamentar bloquista referiu-se também aos precários, lembrando que "nove em cada 10 novos contratos são precários", para depois apresentar as cinco propostas da sua bancada.

Entre os três projetos de lei e duas resoluções, o BE propõe "que os contratos a prazo se tornem a exceção e não a regra", uma "clarificação dos motivos para os contratos de trabalho temporário" e a "criação de um programa especial de combate ao falso trabalho a recibos verdes, criminalizando o seu uso abusivo e utilizando as novas tecnologias para o cruzamento de dados entre o fisco e a Segurança Social".

Soares defendeu ainda um reforço dos poderes da Autoridade para as Condições do Trabalho e que se retome "o período de concessão das prestações de desemprego e o seu valor em termos anteriores às alterações impostas pelo Governo".

"Há uma geração inteira para quem o verde não é a cor da esperança, é a cor do recibo que lhes retira direitos e adia as vidas, os planos e o futuro, o Governo deixa para trás os precários", acusou.

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