Governo analisa possível presença militar no Golfo da Guiné

O Governo português está a estudar uma eventual participação de militares em ações de patrulhamento para reforçar a segurança no golfo da Guiné, anunciou esta sexta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros.

"Estamos predispostos, na medida das nossas possibilidades, a colaborar com a presença dos nossos diplomatas nas reuniões internacionais e com a presença dos nossos militares nas ações de patrulhamento, para que a segurança no golfo da Guiné seja maior", afirmou aos jornalistas o ministro Rui Machete, à margem da conferência internacional "A Segurança no golfo da Guiné", que decorre esta sexta-feira no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa.

O chefe da diplomacia portuguesa adiantou que esta matéria "está a ser analisada" pelo Governo, ressalvando que é "um dos aspetos essenciais" da ação de combate aos fenómenos de pirataria e tráfico que ocorrem na região.

Rui Machete mencionou que "não há ainda questões concretas".

A intervenção na região tem passado por "exercícios conjuntos", referiu, exemplificando que "há deslocações de forças navais, em cooperação com Cabo Verde e São Tomé e Príncipe que, ao deslocarem-se, têm uma atividade de patrulhamento".

No entanto, salientou, "ainda não existe um plano concertado" que, acrescentou, deve ser coordenado "com todos os países" afetados, "em particular com a CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental] e com os países da área".

A região do golfo da Guiné é afetada por fenómenos de pirataria e de tráfico de droga, de armas e de seres humanos, e é utilizada por grupos terroristas subsarianos, que se misturam com imigrantes ilegais para alcançar a Europa, nomeadamente através do corredor da Líbia.

"São um perigo de segurança grave para os países europeus", disse Rui Machete.

As questões de segurança nesta região poderão ser debatidas na cimeira de chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorre no próximo dia 23 em Díli, Timor-Leste, admitiu o ministro, que recordou que quatro países desta organização lusófona são diretamente afetados pelos problemas que ali se verificam - Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Cabo Verde -, mas Portugal e Brasil também estão "particularmente

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