Franquelim Alves rejeita demitir-se por causa de BPN

Secretário de Estado garante que continuará no Governo "enquanto o primeiro-ministro o entender". CDS fica em silêncio sobre o tema. PSD recorda que governante foi nomeado para comissão por Sócrates.

Franquelim Alves afirmou hoje no Parlamento que "jamais teria aceite [a nomeação para secretário de Estado] se tivesse aceite qualquer tipo de responsabilidade" no processo do BPN, depois de interpelado pela deputada socialista, Ana Paula Vitorino, sobre se entendia ter condições para exercer o seu cargo e se já tinha colocado o seu lugar à disposição. "Continuarei no Governo enquanto o senhor primeiro-ministro o entender. Estou aqui para trabalhar."

Durante uma audição já programada para o seu antecessor, entretanto remodelado, o novo secretário de Estado voltou a defender-se com o facto de ter entrado para a Sociedade Lusa de Negócios (SLN), a 'holding' proprietária do BPN, "no quadro de afastamento de Oliveira e Costa", o então administrador da empresa, "para reestruturar o sector não financeiro" da SLN.

Insistindo que aqueles "meses" foram a "pior opção profissional" da sua vida, Franquelim Alves afirmou que "colaborou, ajudou e participou" a esclarecer, "no tempo apropriado e considerado correto", o "processo complexo" do BPN.

Em defesa do secretário de Estado saiu o deputado do PSD, Paulo Baptista Santos, que argumentou que o ataque da oposição é "uma tentativa de linchamento político", apontando o dedo ao PS por ter nomeado Franquelim Alves para uma comissão de reforma do sector empresarial local, ao BE por manter a solidariedade política com a sua autarca de Salvaterra de Magos, acusada de falsificação de documentos, e ao PCP por se ter calado perante a reforma antecipada da autarca de Palmela.

Significativamente, o deputado do CDS, Hélder Amaral, não se referiu ao tema na sua intervenção, interpelando o governante apenas sobre o tema da audição (em causa está a discussão de uma lei de bases sobre o empreendedorismo). Os centristas têm mantido um silêncio incomodado com a nomeação de Franquelim Alves. O vice-presidente do partido Nuno Melo já assumiu que o Governo errou ao escolher um governante com um passado ligado ao BPN.

Bruno Dias, do PCP, e Ana Drago, do BE, insistiriam depois que o secretário de Estado não tem condições para governar, colocando em causa a sua "credibilidade" por ter omitido das autoridades durante meses a situação no BPN, apesar de ser do seu conhecimento.