"'Flirt' com partidos à esquerda do PS é um equívoco"

O eurodeputado socialista Vital Moreira não acredita numa frente de esquerda do PS, do Bloco de Esquerda e do PCP contra a política do Governo de Passos Coelho: "Não há nenhuma sinceridade nisso. Sou daqueles que, no PS, entende que qualquer 'flirt' com os partidos à esquerda do PS é um equívoco, sem condições para vingar. E mais, só cria mal entendidos."

Para o constitucionalista, que foi o cabeça de lista do PS nas últimas eleições europeias, é umpossível encontrar uma ponte entre o PS e as posições que o BE e o PCP têm: "O que divide o PS, o Bloco de Esquerda e o PCP é mais do que o que os une, não haja dúvidas a esse respeito. É uma questão de políticas concretas, de conceção da economia de mercado, da democracia política e, sobretudo, da Europa!" Por isso, acrescenta, "pensar fazer uma coligação com partidos que são decididamente anti-integracionistas é uma impossibilidade."

Sobre a situação de crise nacional, Vital Moreira considera que "é extremamente dolorosa" e "não há memória de termos uma situação destas desde o final dos anos 60, quando a economia começou a crescer". Adianta que é a primeira vez em seis décadas que os portugueses não irão "dar por assente que todos os anos viveríamos melhor do que no ano anterior e que os nossos filhos teriam uma vida melhor do que a nossa". Refere como certo que a situação não será corrigida na próxima meia dúzia de anos: "Recuperar o nível de rendimento de 2008 - no final deste exercício teremos todos perdido 20% a 25% -, não vai acontecer nos próximos dois ou três anos. Nunca será antes de 2020."

Daí que aponte responsabilidades acrescidas ao Governo: "Este Governo é muito responsável por ter criado um síndrome pessimista e catastrofista. Em primeiro lugar, tem uma obsessão austeritária radical. Em segundo, tem a ideia da austeridade como punição e como expiação. Estas duas ideias combinadas com decisões impreparadas, fugas para a frente e recuos, como a decisão sobre a TSU. Que foi o exercício governamental mais desastrado, com uma conferência a solo do primeiro-ministro em que anunciava um grandioso desígnio político, para depois recuar completamente passados uns dias."

Quanto à União Europeia, o eurodeputado aprecia positivamente o mandato de Durão Barroso: "Precisamos de ter visões de conjunto e não efémeras. Podemos pensar que a resposta da União Europeia desde 2008 podia ter sido mais consistente, clara e rápida, só que estamos a pagar os erros de 1992, quando se desenhou a arquitetura do euro sem tirar consequências do facto óbvio de que a união monetária carecia de integração a nível orçamental, das políticas económicas, de maior supervisão e integração bancária. Nada disso foi feito, confiámos sempre que as coisas correriam bem. E mais, durante 20 anos fomos laxistas em matéria de controlo orçamental - Portugal foi o primeiro, depois a Alemanha - ; desregulámos os bancos quando precisávamos de mais regulação e deixámos integrar o mercado financeiro sem ter um regulador a nível da União. Quando há a crise no outro lado do Atlântico, a Europa estava impreparada."

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