Falta estratégia nacional para estaleiros se recapitalizarem

A Associação das Indústrias Navais (AIN) critica o Governo por ter uma estratégia para o mar e deixar de fora este setor, que, refere, pode ser ainda mais competitivo no futuro, mas não consegue recapitalizar-se por falta de financiamento.

"Quando se fala numa economia do mar e que é preciso investir no 'offshore' e nas energias renováveis, os estaleiros estão na linha da frente. Seria natural que houvesse por parte do Estado uma manifestação mais clara de uma estratégia ao setor que não existe", afirmou à agência Lusa José Ventura de Sousa, secretário-geral da AIN.

Ao contrário de outros setores, lembrou, "dada a situação geográfica do país, este não consegue deslocalizar-se para outro" e tem capacidade exportadora.

"Existe um memorando de entendimento entre Portugal e o Brasil para a atividade de construção naval, que não está aprovado pelo Governo, e Angola também estava interessada em desenvolver um projeto para recuperação da indústria de construção naval mercante e militar", exemplificou.

Além disso, a costa portuguesa não só vai continuar a receber grandes frotas mundiais para reparação, como, tendo em conta as novas preocupações de eficiência energética e financeira, pode vir a construir navios com motores a gás natural e ter pontos de abastecimento.

"A frota de pesca está envelhecida, precisa de aumentar a competitividade e as condições de habitabilidade e ambientais e isso iria dar um alento muito grande, se a nova Política Comum das Pescas tiver isso em conta", alertou.

Contudo, ressalvou, quando um armador precisa de construir uma embarcação e de recorrer ao crédito, fundamental para os estaleiros de construção, tem "muitas dificuldades".

Para a AIN, "os estaleiros portugueses podiam ser mais competitivos se houvesse financiamento para a sua reestruturação e inovação", mas, ao contrário do que se passa na Europa, "em Portugal não há ajudas do Estado e financiamento.

No último quadro comunitário, os estaleiros ficaram de fora do financiamento por falta de autonomia financeira, sendo 15% o mínimo exigido.

A autonomia financeira das empresas de construção naval atingiu índices negativos em 2009, decaindo 63% em 2011, ao passo que na reparação a curva tem sido ascendente, alcançando os 71% em 2011. Os estaleiros de Viana do Castelo contribuíram em larga medida para os resultados.

"Se excluirmos Viana do Castelo desta análise, temos os estaleiros com autonomias financeiras médias, que baixaram de 2011 para 2012 de 12% para 8%,", esclareceu.

O endividamento associado a investimentos falhados na construção de embarcações de pesca e as quebras nas vendas contribuíram para a diminuição da liquidez financeira destas empresas.

Em 2011, 22% das pequenas e médias empresas viram os seus pedidos de empréstimo rejeitados, de acordo com a AIN.

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