Ex-presidente da Empordef defende contrapartidas

O ex-presidente da Empordef Sérgio Parreira de Campos defendeu esta quarta-feira que as contrapartidas na aquisição de equipamento militar deveriam ser sobretudo para empresas da indústria da Defesa.

"As contrapartidas deviam ser sobretudo para empresas da indústria de defesa", disse Sério Parreira de Campos, durante uma audição na comissão de inquérito parlamentar à aquisição de equipamento militar.

Sustentando que o "sistema de contrapartidas estava bem desenhado", o antigo presidente da Empordef (a 'holding' das indústrias de defesa portuguesas) reconheceu que o problema do processo foi uma certa "inércia".

"São processos que têm uma inércia muito grande, duram anos, anos e anos", disse, referindo também a existência de uma fraca monitorização da execução das contrapartidas.

Durante a audição, Sérgio Parreira de Campos foi também questionado sobre o papel desempenhado pela Escom no processo de aquisição dos submarinos, tendo admitido que chegou a ser contactado por "diversas pessoas que se apresentavam como sendo da Escom, mas que não faziam parte dos quadros da empresa".

"A Escom esteve em quase tudo, prometiam mundos e fundos, mas a mim nunca me fizeram nenhum proposta indecente", sublinhou, adiantando nunca ter negociado com a empresa que na altura pertencia ao Grupo Espírito Santo e que foi contratada como consultora pelo consórcio alemão que acabaria por vender dois submarinos ao Estado português.

"Falei sempre com as próprias empresas e deixava de lado esses intermediários que serviam de 'correios'", acrescentou.

A Escom foi igualmente referida na audição do antigo secretário-geral do ministério da Defesa Luís Augusto Sequeira que garantiu aos deputados só recentemente ter ouvido falar da empresa "e pelos jornais".

Luís Augusto Sequeira, que exerceu funções enquanto secretário-geral do ministério de Defesa entre 2005 e 2008, foi também inquirido sobre os contratos de aquisição dos submarinos, reiterando nunca ter tido acessos a eles.

"Nunca tive acesso à adjudicação", assegurou, garantindo que essa documentação não estava na secretaria-geral, nem foi possível obtê-la apesar de ter sido feito um pedido escrito nesse sentido através do departamento jurídico do ministério da Defesa.

Confrontado pela deputada do CDS-PP Cecília Meireles com o facto de ter sido o próprio ministério a enviar para a comissão de inquérito essa documentação, Luís Augusto Sequeira repetiu apenas que nunca teve acesso ao contrato de aquisição, nem ao contrato de contrapartidas.

Os trabalhos da comissão parlamentar de inquérito aos Programas de Aquisição de Equipamentos Militares (EH-101, P-3 Orion, C-295, torpedos, F-16, submarinos, Pandur II) foram retomados na terça-feira, após uma interrupção para férias, estando ainda agendadas mais duas audições para o dia de hoje e outras duas para quinta-feira.

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