Europa é a UE

António Costa Pinto, investigador no ICS, faz parte de um vasto painel de oradores e moderadores que a 13 e 14 de setembro debaterá, numa conferência organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, o tema: "Portugal europeu - e agora?". Neste espaço responde à pergunta "Quando se sente europeu?"

A adesão à União Europeia foi, com a Democracia, o maior desafio de Portugal no final do Século XX. Para a minha geração foi certamente um enorme estímulo por tudo aquilo que simbolizou de apelo à modernização da sociedade portuguesa e de rompimento com o isolamento provinciano onde vivemos boa parte do século XX. Apesar de ter nascido numa classe média relativamente cosmopolita e sem problemas económicos, a conversa erudita (e verdadeira) segundo a qual a Europa não se esgota na UE mobiliza-me pouco. De facto, eu sempre me senti europeu (e Salazar seguramente também se sentia) mas é a plena realização do mercado interno, da mobilidade de pessoas e bens, e os etc. a eles associados que coloca a fasquia mais alta para países como Portugal. É claro que agora estamos a ver que não aguentámos parte do desafio, mas o pior que nos poderia acontecer era o regresso às fronteiras nacionais. Eu sinto-me bem numa Europa sem fronteiras, com o seu frágil "capitalismo de rosto humano" que, por agora, ainda faz parte da sua cultura política.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG