"Eu faço uma oposição construtiva"

A apresentação de uma moção de censura ao Governo no Parlamento está, para já, colocada de lado pelo secretário geral do PS que ontem, após uma sessão com empresários em Castelo Branco, se recusou a responder aos jornalistas sobre a questão.

"Eu faço uma oposição construtiva. É isso que é exigido ao líder da oposição, ouço os portugueses, apresento alternativas, vou-me bater até ao fim por um desafio que abracei há ano e meio, bater-me por emprego, emprego e emprego", repetiu e "pelo apoio às empresas", acrescentou. "O que é que falta para a Governo e o primeiro-ministro perceberem que é preciso mudar de caminho, apostar no crescimento económico e no emprego", perguntou.

Apoiado por um bloco de notas, António José Seguro ouviu preocupações de empresários reunidos na biblioteca de Castelo Branco, estrangulados, a sua grande maioria, pela tesouraria face à elevada carga fiscal e sem apoio da banca, que pratica 'spreads' (taxas adicionais ao juros aplicadas pelos bancos a empréstimos) "altíssimos". Uma das queixas apresentadas prendeu-se com os atrasos no reembolso do IVA. "Sem capacidade de tesouraria para continuar a satisfazer encomendas, recorri à banca que me cobraria mais do que alguma vez pudesse receber. Resultado, com cinco meses de atraso do reembolso, perdi um importante cliente no estrangeiro para um fornecedor belga", apontou um dos empresários presentes.

A implementação de portagens na A 23, "a teia de burocracia que mata as empresas à origem" em matéria de licenciamento industrial e comercial, a falta de alternativa para o transporte de mercadoria na Linha da Beira Baixa "porque a CP Carga não oferece condições", elucidou o administrador da Farinha Lusitana, Trigueiros de Aragão, ou o aumento do IVA para 23 por cento na restauração, foram alguns dos problemas que preencheram o debate da manhã em Castelo Branco, na primeira iniciativa "As Pessoas Estão Primeiro".

Seguro respondeu com propostas para apoio à tesouraria de pequenas e médias empresas como a da criação, com o apoio do Quadro Comunitário de Apoio, de um banco de fomento de apoio às micro e pequenas empresas. "Se o Governo não tem soluções, que aceite as do PS". António José Seguro reconheceu que o caminho "não é simples" e que "não há varinhas mágicas", mas acredita que é possível conjugar mais apoios às empresas com "disciplina e rigor orçamental, com as finanças públicas em modo são". "O país precisa de rigor e disciplina nas suas contas" já tinham sido o mote do presidente da Federação Distrital do PS e presidente da Câmara de Castelo Branco, Joaquim Morão, que enquanto autarca assistiu "às três intervenções da Troika até hoje em Portugal.

A manhã terminou com um almoço com mais de cem pessoas, organizado por amigos no concelho natal de Seguro, em Penamacor, que pretendeu ser "um incentivo", disseram algumas intervenções, para chegar a primeiro ministro.

O secretário Geral do PS regressa hoje a Castelo Branco para um almoço comício no pavilhão do Nercab.

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