"Este Governo é um Governo incapaz e tem de se demitir"

O antigo Presidente da República Mário Soares afirmou hoje que Portugal está a "arruinar-se" e a "ser destruído pelo atual Governo" e diz que o Executivo de Passos Coelho deve demitir-se.

"Este tempo não é difícil, é dificílimo. Portugal está a arruinar-se e está a ser destruído pelo atual Governo. O tempo é difícil, em grande parte, pelas questões europeias, que são difíceis em matéria da zona euro. (...) E também é difícil porque este Governo é um Governo incapaz e tem de se demitir", disse Mário Soares aos jornalistas, à entrada para a apresentação do seu livro de crónicas "Tempo difícil", em Lisboa.

Para Mário Soares, "não é possível que o povo, que é quem mais ordena, como se dizia e muito bem, que o povo esteja todos os dias a insultar os membros do Governo, a chamar-lhes gatunos e outras coisas assim e o Governo ficar insensível, como se isso não quisesse dizer nada".

"É um Governo contra o povo e um povo contra o Governo. Isto tem de acabar, porque se não destrói o país", acrescentou.

Questionado sobre a ideia de refundação das funções do Estado lançada pelo Governo, Mário Soares respondeu que desde há muito fala "na refundação dos partidos, para modificar, modernizar, desenvolver os partidos todos".

"Falei nisso várias vezes, mas refundação do Estado eu não sei o que seja ainda", afirmou, dizendo, a seguir, perante a insistência dos jornalistas na mesma questão: "Se é o Estado Social, eles querem acabar com o Estado Social. Portanto, refundação quer dizer acabar com o Estado".

Soares recusou ainda pronunciar-se sobre a atuação do atual Presidente da República, dizendo apenas que leu hoje "um artigo bastante interessante" no jornal i com o título "No tempo em que o Presidente falava".

Falando já durante a sessão de apresentação do livro, Soares acabaria por acrescentar que, se o Governo não tiver o "bom senso" e a "honradez" de se demitir, e se não for demitido de outra forma, poderá acabar por ser demitido pelo Presidente da República, "numa segunda fase".

"Se o Governo não se demite, então tem de se apelar para o Presidente da República. É evidente. Não há outro caminho", afirmou, sublinhando que sindicatos, parceiros sociais e até uma parte dos banqueiros estão contra o Governo.

"O que é que nós estamos aqui à espera que aconteça? Como é que isto vai acabar?", afirmou, dizendo que os portugueses estão "no limite" e que "não se pode deixar que as coisas apodreçam".

"E estamos a assistir a um Governo que não governa, que está paralisado, que não se entendem uns com os outros, como se sabe. A coligação não se entende", acrescentou, considerando que se a "destruição" continuar, haverá um "recuo" de um século na situação do país.

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