Espanha é maior cliente e fornecedor de Portugal

A Espanha continua a ser o principal destino das exportações e a maior fonte das importações de Portugal, mas com a crise financeira o peso espanhol no comércio português tem-se reduzido.

Em 2011, Portugal exportou 10.509 milhões de euros em bens para Espanha -- 24,8 por cento do total das exportações portuguesas. Segundo estes dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o país vizinho é o maior cliente dos produtos portugueses, valendo quase tanto como os segundo e terceiro maiores destinos de exportação, Alemanha (13,6 por cento) e França (12 por cento).

No sentido inverso, Portugal importou 18.226 milhões de euros em bens espanhóis -- o equivalente a 31,6 por cento do total das importações portuguesas. Espanha é também a principal origem das importações de Portugal, desde o início dos anos 1990.

É igualmente com Espanha que Portugal regista o seu maior défice comercial. No ano passado, a balança comercial entre os dois países foi favorável a Espanha em 7.717 milhões de euros -- quase metade do défice comercial português total.

Este é um fenómeno relativamente recente: no início dos anos 1980, Espanha representava menos de cinco por cento dos fluxos comerciais de Portugal.

"Até 1974, Portugal estava virado para as colónias, ignorava Espanha, e vice-versa. Eram dois vizinhos praticamente de costas voltadas, até à entrada dos dois países no mercado comum [em 1986]. Desde então, tem sido sempre a crescer", afirmou o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, Enrique Santos.

Segundo os números do INE, a taxa de cobertura (percentagem das importações que é "paga" pelas exportações) de Portugal em relação a Espanha foi 57,6 por cento em 2011 -- um valor muito inferior à média total (73,4 por cento). Em todo o caso, este valor já foi muito mais baixo: a taxa de cobertura relativamente a Espanha estava apenas nos 42,2 por cento em 1998.

A quota espanhola no comércio internacional português tem-se reduzido ligeiramente desde 2009, à medida que o efeito da crise financeira se torna mais forte em ambos os países.

As importações vindas de Espanha atingiram um máximo histórico de 32,8 por cento do total em 2009, as exportações alcançaram 28,7 por cento em 2007.

Este abrandamento "é sinal da crise que se está a viver em Espanha" e também reflexo de uma "saturação" do mercado português relativamente a Espanha, disse Enrique Santos.

O presidente da Câmara de Comércio nota ainda que os laços comerciais ibéricos são especialmente fortes entre o Norte português e a Galiza.

"O primeiro comprador [de produtos portugueses] é a Galiza, o segundo é a comunidade de Madrid, depois a Catalunha", disse Enrique Santos. No sentido inverso, as principais origens de produtos espanhóis são a Catalunha ("o maior fornecedor, por uma grande diferença), Madrid e depois a Galiza.

Esta distribuição regional tem a ver com a boa relação entre o Norte e a Galiza mas também com o perfil económico das regiões: "Catalunha é para Espanha o que o Norte é para Portugal, uma região com muitas fábricas, muita indústria", referiu.

A XXV Cimeira Luso-Espanhola, que decorre na próxima quarta-feira, no Porto, terá entre os objetivos centrais reatar a proximidade nas relações ibéricas e intensificar os laços Portugal/Espanha. Desde 2009 que não se realizavam cimeiras bilaterais entre Portugal e Espanha.

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