Entregar RTP2 ao Porto é "presente envenenado"

A oposição afirmou hoje, em plenário parlamentar, que a transferência da produção da RTP2 para o Porto é "um presente envenenado", considerando que "o Governo ainda não sabe o que vai fazer ao canal 2".

Para Honório Novo, deputado do PCP, "face à indignação" gerada com a decisão de retirar a produção de dois programas do centro de produção da RTP do Porto, Praça da Alegria e Jornal da Tarde, o Governo quis "amortecer" essa indignação e decidiu "entregar ao Porto a produção do Canal 2".

"É um presente envenenado oferecido ao centro de produção da RTP Porto, para calar o centro de produção da RTP Porto", disse, sublinhando que esta decisão "não pode ser desligada do processo de privatização da RTP, em que o Governo e o PSD continuam empenhados".

Também Catarina Martins (BE) entende que o que está em causa é "a destruição do centro de produção da RTP Porto" e acusa o Governo de "ainda não [ter decidido] o que fazer com a RTP2".

A deputada bloquista sublinhou que "a maioria da produção do canal 2 é independente", pelo que, defendeu, "dizer que o centro de produção do Porto vai ficar com a 2 é dizer que vai ficar, quanto muito, com o [programa] Sociedade Civil e com o programa das confissões religiosas".

Na bancada socialista, Manuel Pizarro considerou que se trata de um "centralismo sem limites que ataca tudo o que é feito no Norte do país" e disse que a transferência dos programas Praça da Alegria e Jornal da Tarde para Lisboa é feita "apenas por capricho".

Fernando Jesus, também do PS, lançou várias perguntas que considera continuarem sem resposta relativamente à transferência da RTP 2 para o Porto: "Com que orçamento? Quem é que vai gerir?", interrogou.

Para Os Verdes, "não é necessário grande esforço para se perceber que não existem razões económicas ou financeiras" por trás destas decisões.

O deputado ecologista José Luís Ferreira, por seu lado, não tem dúvidas: está em causa "um ataque" à população do Norte.

O deputado social-democrata Paulo Rios de Oliveira juntou-se às críticas da oposição e começou por sublinhar que "o centro de produção do Norte tem vindo a perder peso, influência e intervenção no espaço da própria RTP".

"Colocar um programa -- seja ele qual for - como tudo ou nada, ou quase tudo ou quase nada, é demonstrativo da fragilidade e relevância decrescente a que este centro tem sido relegado", disse Rios de Oliveira, apelando à "valorização deste centro, com o reforço das suas competências".

Vera Rodrigues, da bancada do CDS-PP, por seu lado, disse que "até do ponto de vista economicista (...) o Porto sai beneficiado", mas concordou que "a RTP no Porto é fundamental para divulgar projetos e iniciativas com impacto local, regional e nacional".

"Não numa lógica regionalista, mas no sentido construtivo, recomendamos a não extinção e a não limitação do centro de produção do Porto da RTP, valorizando as competências já instadas. Se o Norte perde é o país que perde, mas se é o Norte que ganha é o país como um todo que sai beneficiado", concluiu.

Os deputados parlamentares discutiram hoje, em plenário, cinco projetos de resolução relativos à produção da RTP Porto, um apresentado pelos partidos da coligação governamental (PSD e CDS-PP) e os restantes pelos partidos da oposição (BE, PCP, PS e PEV).

A votação dos cinco projetos de resolução está agendada para sexta-feira.

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