Elisa Ferreira quer consenso nacional "verdadeiro"

A eurodeputada do PS Elisa Ferreira considerou hoje "muito importante" um consenso nacional sobre a situação económica e de crise em Portugal, mas defendeu que este "tem que ser verdadeiro" e não apenas para obedecer à "troika".

"É muito importante que haja um consenso nacional, mas esse consenso tem que ser verdadeiro", afirmou, quando questionada pelos jornalistas sobre o encontro mantido, na quinta-feira, entre o primeiro-ministro, Passos Coelho, e o líder do PS, António José Seguro.

Sem querer pronunciar-se sobre a reunião propriamente dita, Elisa Ferreira alertou, contudo, que um consenso nacional em torno da economia do país não pode ter apenas em atenção as orientações da "troika".

"Não pode ser um consenso em que nós obedecemos à 'troika'", porque esta "obedece às lógicas e às dinâmicas dominantes".

Se assim for, acrescentou, "acabamos por ficar isolados, convencidos de que sozinhos podemos fazer tudo".

Questionada também pelo Orçamento do Estado para 2013 (OE2013), a eurodeputada socialista afirmou que, primeiro, é preciso conhecer a proposta do Governo, mas defendeu que o orçamento "não pode limitar-se a ser um mecanismo de restrição e de progressivo empobrecimento da economia nacional".

"Nós estamos no nosso limite em termos de austeridade" e, apesar de o país ter feito "o trabalho de casa, tal e qual como nos foi recomendado, vê-se que a economia não relança e que a perda de receitas fiscais acaba por inviabilizar a correção dos problemas orçamentais".

Por isso, sugeriu, é preciso que todos se sentem "à volta de uma mesa, não enquanto professores e alunos, mas enquanto parceiros".

"E vamos ver o que é que correu mal e não correu mal. Se, de facto, grande parte da economia depende do mercado interno, se nós temos um desemprego galopante, não há condições de fazer a dinâmica da economia funcionar", afirmou.

O cenário de austeridade "tem sido excessivo, exagerado", afiançou Elisa Ferreira, sustentando que há outras alternativas: "Austeridade pode ser reequilibrar o sistema de impostos".

"Acho que é a altura também, por exemplo em relação à restauração, de alterar completamente a situação, que não deu resultado", defendeu, argumentando que não se trata de "tratar dos egos dos políticos", mas sim da "situação concreta do país".

Portugal deve ainda tratar, não só da sua política interna, mas também da sua agenda europeia, "de uma forma muito mais ativa", incentivou Elisa Ferreira, dizendo que é preciso "discutir de uma forma musculada e ativa as propostas da 'troika'".

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