"Eleições seriam mais problema do que solução"

O comentador político Marcelo Rebelo de Sousa defendeu hoje que a realização de eleições antecipadas antes da saída da 'troika' "seriam mais um problema do que uma solução".

"Daqui até 30 de junho do ano que vem, eleições antecipadas são mais um problema do que uma solução, porque já temos uma eleição em setembro", defendeu o antigo líder do PSD, em declarações à Lusa em Celorico de Basto, onde já foi presidente da Assembleia Municipal, à margem da inauguração de uma feira do livro promovida pela autarquia local.

Questionado sobre as conclusões do Conselho de Estado realizado na segunda-feira, Marcelo Rebelo de Sousa, que é membro daquele órgão, considerou positivo que se tenha discutido o período 'pós-troika'.

"Não é possível separar a situação atual daquilo que se vai viver a partir de julho do ano que vem. Há muita coisa na Europa e Portugal que acaba por ser a continuação do que se passa hoje. Esperemos que para melhor, mas a continuação", disse à Lusa.

Marcelo recordou que "o Conselho de Estado analisou cuidadosamente a situação vivida em Portugal, mas também aquilo que é preciso que mude na Europa para rapidamente facilitar a mudança de Portugal".

"É muito difícil, para não dizer impossível, Portugal melhorar se a Europa continuar a piorar, porque boa parte das nossas exportações vai para a Europa", acrescentou.

Marcelo assinalou, por outro lado, que o Conselho de Estado não decide, mas "aconselha quem decide".

"O importante ali é que, quem decide, o senhor Presidente da República, o primeiro-ministro, o líder da oposição e a presidente da Assembleia da República, tenham ouvido com atenção o que lá se disse", concluiu.

Sobre a possibilidade de as legislativas se realizarem antes da data prevista (2015), Marcelo considerou que "tudo o que seja, até ao fim da 'troika', criar complicações, não é bom".

O comentador insistiu que a instabilidade provocada pelas eleições poderia ter repercussões nos mercados, recordando que o país tem dinheiro a receber de Bruxelas e precisa que "os mercados continuem a ter os juros a baixar e a facilitar a possibilidade de ir buscar dinheiro lá fora".

"As candidaturas [para as autárquicas] arrancam daqui a dois meses. Isso significaria encavalitar uma eleição na outra ou fazer uma legislativa a seguir à local, numa altura em que o Orçamento do Estado para o ano que vem está em preparação", assinalou.

Segundo Marcelo, as eleições antecipadas obrigavam que fosse o novo Governo "a fazer um novo orçamento".

"Era preciso começar de novo, o que atrasava o começo do ano que vem", acentuou ainda.

O antigo dirigente social-democrata admitiu, no entanto, que uma eventual derrota do PSD nas autárquicas pode ser "uma fragilização adicional do Governo".

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