É preciso "atacar o cinismo dos poderosos"

Histórico social-democrata protagonizou o momento alto do encontro organizado por Mário Soares. Definiu-se como "membro de uma minoria em extinção" no PSD e apelou à mobilização de todos "não pelas mesmas coisas, mas contra as mesmas coisas".

Foi o momento alto da noite desta quinta-feira na Aula Magna, em Lisboa. Pacheco Pereira levou as largas centenas de presentes ao rubro com os ataques incisivos ao Governo e, sobretudo, pelo apelo de mobilização a todos aqueles que não se revêem nas políticas de austeridade.

"Os que aqui estão não estão a defender coisa nenhuma, mas a atacar a iniquidade, a injustiça, o desprezo e o cinismo dos poderosos para quem a vida de milhões de pessoas é irrelevante, é apenas um custo", começou por atirar o histórico social-democrata, que afirmou ser "membro de uma minoria em extinção" no seu próprio partido.

Por isso, o historiador não encontra razões para ter de justificar a sua presença no encontro organizado por Mário Soares, ainda que seja normalmente designado por "encontro das esquerdas.

Sempre ao ataque, contra o Governo, a troika e o processo de ajustamento da economia nacional, Pacheco Pereira foi corrosivo, falando da Constituição e das funções sociais do Estado: "Ninguém se mobiliza por uma lei mas por aquilo para que uma lei serve. Ninguém se mobiliza apenas pelo Estado social como uma expressão abstrata, mas pela saúde, pela educação, pela segurança, pela habituação, pela justiça e pela proteção social."

Por isso, lamentou os sacrifícios que estão a ser exigidos aos portugueses. "Se alguns têm mais recursos financeiros não devem ajudar por caridade ou assistência, mas como forma natural de viver em sociedade. As famílias não ajustaram, empobreceram. E já nem comem bife, comem frango. Quando há frango...", atirou, condenando, por outro lado, os milhares de milhões gastos com as parcerias público-privadas e os contratos swap.

Ainda de dedo apontado ao Governo, criticou a forma como tenta agora "desresponsabilizar-se" das medidas que têm imposto ao utilizar como subterfúgio a "perda de soberania" ou a condição de "protetorado".

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