É "perigoso" decidir saída da 'troika' por razões eleitorais

O social-democrata Marcelo Rebelo de Sousa afirmou hoje que será "perigoso" se o Governo decidir se pede ou não um programa cautelar, no final do atual resgate financeiro, "por razões eleitorais".

"Espero que a decisão que seja tomada pelo Governo não seja por razões eleitorais. Como há eleições europeias este ano, em cima da decisão [de pedir ou não um programa cautelar], e depois há legislativas para o ano, pode em teoria haver uma tentação muito grande que é -- à portuguesa -- empurrar com a barriga para a frente", afirmou o professor aos jornalistas à margem de uma conferência organizada hoje em Lisboa pela CV&A Consultores.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, "isto é perigoso", pelo que o Governo deve "pensar no que tem para este Governo e para o que vier a seguir".

Questionado sobre as afirmações do ex-ministro da Economia Álvaro Santos Pereira que defendeu um novo acordo de concertação social após a saída da 'troika' e um consenso político entre o PS e o PSD, Marcelo Rebelo de Sousa concordou que é preciso "um acordo mínimo" que inclua também o CDS.

"Há muita gente no PS, no PSD, no CDS e até independentes que sente que é preciso um acordo. Depois podemos discutir o que cobre o acordo: a parte financeira, as grandes obras públicas, a revisão constitucional, a reforma do Estado? Agora que é preciso é, porque daqui até 2020 [extensão do próximo quadro de fundos comunitários] vai haver três governos", disse o professor universitário, defendendo que "os três principais partidos deviam ter um acordo mínimo".

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