Discurso de Seguro põe militantes a apupar Cavaco

António José Seguro pôs os participantes no XIX congresso do PS, em Santa Maria da Feira, a apupar o Presidente da República, depois de o acusar de ter prestado à democracia "o pior serviço" que podia prestar: "o da descrença na capacidade do povo para criar soluções para os problemas com que está confrontado" porque "em democracia há sempre soluções".

Referindo explicitamente o Presidente da República, o líder do PS denunciou o seu "erro maior" no discurso do 25 de abril: "O erro de negar a esperança e a evidência de que há um caminho alternativo para sairmos da crise." E foi nesta altura que os militantes apuparam o chefe do Estado - alvo, antes dos trabalhos se iniciarem, de vários comentários críticos por vários dirigentes.

"Erram aqueles que negam ao nosso país o direito a poderemos acreditar que há um caminho diferente do prosseguido por este Governo para encarar e resolver os problemas nacionais. O caminho desta austeridade a qualquer preço é o caminho da recessão sem solução, do desemprego sem esperança, da submissão sem ambição", disse ainda.

Seguro aproveitou também a ocasião para tornar mais claro do que nunca de que só com um recuo do Governo sobre as políticas de austeridade é que poderá aceitar "consensos" sobre políticas de crescimento. "Não nos peçam para fazermos consensos com um Governo que defende e aplica uma política de austeridade, à qual nos opomos. Não nos peçam para fazer consensos com um Governo que aplica uma política de empobrecimento contra a qual estamos em absoluto desacordo."

Insistiu, ao mesmo tempo, na ideia de que nunca aceitará formar Governo sem eleições. "Não nos peçam para fazer consensos com um Governo que está esgotado, que já não tem a energia, nem a credibilidade indispensáveis para mobilizar o nosso país. E também por isto, não nos peçam para irmos para o Governo. Quero reafirmar perante vós que o PS só voltará ao governo por vontade dos portugueses."

Contrariando as teses defendidas a abrir o congresso por Pedro Nuno Santos - líder do PS de Aveiro, anfitrião da reunião máxima dos socialistas -, Seguro insistiu também em explicitar que a sua política de alianças pós eleitorais não exclui setores políticos à direita do PS.

O partido - disse - é o único que está em condições de "liderar" um "novo consenso" e isso será feito "através de uma alternativa política responsável, aberta à participação de todos os progressistas, humanistas, sociais-democratas, democratas cristãos, que não se conformam, nem se resignam com a situação a que o nosso país chegou".

Num discurso que apresentou como sendo originalmente virado para fora - a tradição seria no primeiro discurso do congresso falar para o interior do partido -, o secretário-geral do PS prometeu lançar um Pacto do Emprego, desafiando os outros partidos e os parceiros sociais. Objetivos: reduzir para metade o desemprego jovem até 2020; e aumentar a Taxa de Emprego nacional para mais de 70% (da população ativa 20-64 anos), no mesmo horizonte temporal.

Seja como for, não deixou de falar para dentro, sublinhando que conta com a colaboração de dois dirigentes que foram seus adversários no congresso de há dois anos. "Conto com o António Costa e saúdo o teu valioso contributo para o reforço da unidade do nosso PS", disse.

Acrescentando: "Conto com o Francisco Assis, a quem envio um abraço amigo. Como sabem, no último Congresso, fomos adversários leais. Desde então, em particular nos momentos mais difíceis, senti-te sempre ao meu lado. Uma atitude que não esquecerei. Hoje estamos aqui, unidos, para reafirmar o nosso compromisso para melhor servir o nosso país"."Convosco, António e Francisco, o PS não fica apenas mais unido, fica mais forte", concluiu.

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