Diretor do Freeport diz que reuniu com José Sócrates

O diretor do Freeport Jonathan Rawnsley disse hoje, no Tribunal do Barreiro, que se reuniu com o ministro do Ambiente José Sócrates depois do segundo chumbo do projeto do 'outlet', a 6 de dezembro de 2001.

Jonathan Rawnsley, que falava ao tribunal através de videoconferência, referiu que, na reunião, esteve também presente o chefe de gabinete do minstro, considerando tratar-se de uma reuniao "normal".

"Sim, estivemos reunidos com o ministro do Ambiente Sócrates logo após a segunda resposta negativa, para recolhermos opiniões e percebermos as razões da recusa do projeto que consideravamos bom e para alterarmos alguns detalhes da construção", disse.

"A ideia era perceber os motivos da recusa", acrescentou.

Instado pelo procurador da República a dizer quem tinha pedido a referida reuniãoo, Jonathan Rawnsley disse que terá sido agendada em Portugal por Charles Smith ou Manuel Pedro, os dois arguidos do caso Freeport.

"Todas as reuniões em Portugal eram agendadas por eles", frisou, considerando-a "normal".

A testemunha foi ainda confrontada pelo tribunal com um manuscrito que terá sido redigido pelo próprio onde se lê "o sucesso do Freeport depende de quanto pagarmos ao partido".

Do lado esquerdo deste documento aparece mencionada uma quantia de 100 mil sem que esteja mencionada qual a moeda. Este documento é um fax datado de 17 de janeiro de 2002. As eleições que ditaram a derrota dos socialistas tinham ocorrido na vespera.

No fax, do qual Rick Dattani também terá tido conhecimento, é feita alusão a uma pessoa a quem já se tinham referido antes e que seria quem estava a par do "suborno". Chama-se ainda a atenção para o facto de Sócrates ter deixado de ser ministro do Ambiente.

Questionado pelo tribunal sobre se teria informado Gary Russell sobre o pedido de dois milhões de libras esterlinas por parte de uma sociedade de advogados para a viabilização do centro comercial, Jonathan Rawnsley disse que não, contrariando o testemunho de Russel na quinta-feira perante o Tribunal.

A testemunha invocou o facto de já se terem passado mais de 10 anos e acrescentou ainda que, na altura, Charles Smith se mostrou "chocado" com o pedido daquela quantia e os terá aconselhado a "não se envolverem em nada daquilo".

O julgamento prossegue na segunda-feira com a continuação da audição de Rawnsley e de mais uma testemunha.

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